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Delação premiada, a moeda de troca da Lava-Jato

Que a imparcialidade da Operação Lava Jato é questionável (pra não dizer inexistente), assim como a do presidente da ”República de Curitiba”, o Juiz Sérgio Moro, não é novidade.

A falta de imparcialidade, porém, é apenas uma das faces que põe em cheque a transparência da Operação. A mais grave delas todas é uma prática comum desde que a Lava-Jato ”explodiu” na mídia e virou assunto comum no cotidiano do brasileiro: as vendas e negociações de delações premiadas.

No ”Mercado da Delação”, como vem sendo chamado, denunciados vendem informações (ou seu silêncio), escritórios de advocacia lucram exorbitantemente nesta negociação e o Juiz Sérgio Moro se utiliza apenas da palavra dos condenados, que obviamente dizem aquilo que ele (e a imprensa) querem ouvir, para seguir com uma perseguição cujos alvos culminam, quase sempre, no PT e no Presidente Lula, principal perseguido desde o início da Operação.

Uma das principais provas da existência deste sistema é um áudio anexado a um dos processos da própria Lava-Jato, onde Alexandre Margotto, ex-sócio de Lúcio Bolonha Funaro e acusado de ser operador de Eduardo Cunha, negocia seu silêncio em relação à Funaro:

“Eu quero estar do lado do Lúcio e que ele não me desampare financeiramente nem juridicamente. Mas eu já quero cem pau agora, R$ 100 mil”.

A delação se transforma em um ótimo negócio para o acusado justamente pelos ”prêmios” envolvidos. O mais comum é a redução drástica da pena, ou a possibilidade de cumprí-la de forma domiciliar.

Este ”mercado” também resultou em outro fenômeno: a alta dos preços cobrados pelos escritórios de advocacia em Curitiba. Surfando na onda da Lava-Jato, advogados cobram preços exorbitantes para defender réus da Operação e negociar as tais delações. Tão exorbitantes que outros escritórios que não atuavam no âmbito da Operação passaram a contratar advogados criminalistas para atender a crescente demanda. Alguns profissionais, inclusive, chegaram a dobrar os preços e contratar mais efetivo para tratar exclusivamente da Lava-Jato.

Neste sentido, alguns advogados também alçam o status de ”superstar” da Lava-Jato, se especializando na negociação de delações. É o caso de Beatriz Catta Preta, responsável por cerca de 9 delações premiadas da Lava-Jato, incluindo a mais importante da Operação até agora, a do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Estima-se que Beatriz cobre de R$ 2,5 a R$ 5 milhões de reais por causa defendida.

No caso de Beatriz, porém, o ônus foi alto: duramente atacada por críticos do sistema de delações premiadas, ela deixou a defesa de outros três acusados (Júlio Camargo, Pedro Barusco e Augusto Ribeiro de Mendonça) e partiu para Miami com o marido, Carlos Eduardo Catta Preta.

Este nome, aliás, soa familiar? Para alguns, talvez. Carlos Eduardo foi preso, em 2001, em Alphaville, São Paulo, em flagrante, portando US$ 50 mil em notas falsas. Em sua casa, foram encontrados mais US$ 350 mil, também em notas falsas.

Mas o motivo, segundo Beatriz, para ter abandonado seu trabalho na Operação e encerrado sua carreira, é que ela temia por sua segurança, já que era ”constantemente ameaçada”. Ainda segundo ela, a Lava-Jato teria se transformado em um “jogo político”.

Quem compartilha desta mesma opinião é ninguém menos que Eduardo Cunha, que também deu mais detalhes sobre o funcionamento do mercado de delações em entrevista exclusiva à revista Época. Em um trecho da entrevista, Cunha, atualmente preso, explicita a negociação:

“É uma operação política, não jurídica. Eles tiram as conclusões deles e obrigam a gente a confirmar. Os caras não aceitam quando você diz a verdade. Queriam que eu corroborasse um relatório da PF que me acusa de coisas que não existem. Não é verdade. Então não vou. Não vou”

Para ”fechar o caixão” da credibilidade da Operação e de Sérgio Moro, surgem as principais provas do esquema: Rodrigo Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht, e réu da Lava-Jato, acusou o advogado Zucolloto Júnior (que, não por acaso, é padrinho de casamento de Sérgio Moro) de oferecer-lhe uma diminuição de pena em troca de sua delação, mediante o pagamento de R$ 5 milhões em Caixa 2.

A proposta foi recusada por Tacla Duran, não sem antes reunir todos os documentos que comprovam a oferta, além de outros que, segundo ele, deixam claro que a Lava-Jato fraudou documentos para incriminar Lula.

Leia mais sobre o caso de Rodrigo Tacla Duran aqui.

 

Fontes:

https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/243625/Grava%C3%A7%C3%A3o-revela-mercado-de-dela%C3%A7%C3%A3o-na-Lava-Jato.htm

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/lava-jato-impulsiona-honorario-ate-de-advogado-que-nao-atua-no-caso-3uvr9wfigtg46kh416r76tb23

http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI223923,81042Advogada+de+delatores+da+Lava+Jato+renuncia+a+mandato

https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/295939/Nassif-Lava-Jato-ampliou-poder-do-MP-e-abriu-mercado-para-parentes-de-procuradores.htm

https://www.esmaelmorais.com.br/2017/09/cunha-lava-jato-e-um-mercado-de-delacoes-premiadas/

https://ocafezinho.com/2016/07/14/o-mercado-de-delacoes-criado-pela-lava-jato/

https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/190367/Dra-Dela%C3%A7%C3%A3o-partiu-com-marido-condenado.html

 

 

 



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