Neusa Guarani é mulher indígena, mãe de duas filhas e militante pela defesa dos direitos dos povos indígenas. Sua trajetória é marcada pela luta por demarcação, dignidade, justiça e participação política. Agora, é candidata com a proposta de levar para o Legislativo uma presença indígena comprometida com o enfrentamento à crise climática, os direitos das mulheres, o acesso às políticas públicas e a construção de um mandato popular.
Quem é Neusa Guarani e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Sou Neusa Guarani, sou uma mulher indígena e venho para enraizar a nossa presença, lutar pelos nossos direitos e ajudar a reflorestar a mente das pessoas.
Acredito que uma política verdadeiramente inclusiva precisa garantir a participação dos povos indígenas. Quero levar para o Legislativo a nossa visão, nossa história e as demandas de quem durante muito tempo ficou afastado desses espaços.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e do que explica por que você decidiu ser candidata agora.
Cresci dentro de um território indígena e passei a vida acompanhando de perto a exclusão e a negação de direitos do meu povo. Sou mulher, mãe de duas filhas e minha entrada na política também está relacionada à necessidade de defender nossa própria existência.
Já enfrentei ameaças por defender a demarcação das terras indígenas e continuo lutando porque acredito que todos os povos têm direito à dignidade, à justiça e a viver com segurança.
Foi essa trajetória que me fez entender que também precisamos estar dentro da política institucional, participando das decisões e defendendo nossos direitos diretamente.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou e como essa experiência vai influenciar seu trabalho como parlamentar?
Um dos maiores desafios é viver em uma sociedade que ainda não reconhece plenamente os direitos dos povos indígenas e de outras populações historicamente excluídas.
Já enfrentei perseguição por defender meu povo, mas essas experiências também fortaleceram minha disposição para continuar lutando.
Quero levar para o Legislativo uma candidatura indígena, com a presença do cocar e com a defesa da participação das mulheres nas decisões. Antes do Brasil que conhecemos hoje, já existiam povos, culturas e histórias neste território. Essa memória também precisa estar representada na política.
Quais serão as prioridades do seu mandato?
Uma das principais prioridades será o enfrentamento à crise climática. Estamos vendo cada vez mais os impactos de chuvas fortes, ventos extremos e mudanças de temperatura, e o poder público precisa tratar esse tema com seriedade.
Também quero atuar pela garantia dos direitos das mulheres, principalmente daquelas que enfrentam violência e muitas vezes encontram dificuldades até mesmo para denunciar e acessar proteção.
Outra prioridade será olhar para as populações que historicamente tiveram menos acesso às políticas públicas e à participação política, incluindo povos indígenas e outros grupos que ainda têm seus direitos negados.
Na sua visão, qual é hoje um dos maiores desafios do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?
Precisamos construir políticas públicas a partir dos territórios e garantir que elas realmente cheguem à população. Não basta criar uma política no papel se ela não tiver acesso e execução onde as pessoas vivem.
Quero trabalhar para ampliar o acesso à saúde, à educação, ao lazer e também às universidades.
Outro ponto importante é garantir que a cultura, a história e as raízes dos povos indígenas sejam reconhecidas e valorizadas dentro da sociedade e das instituições.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população ao longo de todo o mandato e não apenas no período eleitoral?
Quero construir um mandato como espaço de escuta e participação. A população não pode ser procurada apenas durante a eleição.
A proposta é ter uma bancada popular, em que as pessoas possam participar, apresentar suas demandas e construir propostas junto com o mandato.
Quero abrir as portas do Legislativo para o povo e fazer com que mais pessoas possam entrar nesses espaços, acompanhar as decisões e participar diretamente da construção das políticas públicas.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
Minha trajetória é de enfrentamento ao racismo, ao preconceito e às dificuldades que uma mulher indígena encontra para chegar aos espaços de decisão. Quero transformar essa experiência em uma voz dentro do Legislativo.
Quero ser porta-voz de pessoas que durante muito tempo não tiveram participação direta na política e não puderam ajudar a construir as decisões que interferem em suas próprias vidas.
Um mandato indígena precisa garantir voz, presença e participação. Quero cobrar direitos, construir propostas junto com a população e respeitar as diferentes realidades e especificidades de cada povo e território.
Neusa Guarani, deputada estadual, 13008. Rio de Janeiro é terra indígena.




