Maíara Felício é uma mulher negra, do interior, filha de trabalhadora doméstica e de ajudante de caminhoneiro. Nascida em Bom Jesus do Itabapoana, mudou-se ainda criança com a família para Nova Friburgo em busca de melhores condições de vida. Foi camelô, babá, balconista, modelo e fotógrafa antes de se aproximar do movimento negro e da política institucional. Eleita vereadora em Nova Friburgo, agora é candidata a deputada federal com uma atuação voltada às mulheres negras, à população do interior e das periferias, à juventude e à liberdade religiosa.
Quem é Maíara Felício e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Sou uma mulher negra, do interior e da periferia, filha de trabalhadora doméstica e de ajudante de caminhoneiro. Minha candidatura tem muito a ver com as experiências que vivi e com a certeza de que ainda precisamos avançar em políticas públicas que garantam dignidade para a juventude, para a população periférica e para quem vive fora dos grandes centros.
Fui uma criança alcançada por políticas como o Fome Zero e o Luz para Todos. Vi na minha própria vida como uma política pública pode transformar a existência de uma família. É esse tipo de transformação que também quero ajudar a produzir através da política.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?
Nasci em Bom Jesus do Itabapoana, no interior do estado, na divisa com o Espírito Santo. Minha família precisou se mudar para Nova Friburgo em busca de emprego e de melhores condições de vida.
Comecei a trabalhar muito cedo. Fui camelô, babá e balconista de loja. Precisava conciliar a escola pela manhã com o trabalho à tarde para conseguir comprar minhas próprias coisas, como material escolar, sapato, produtos para o cabelo e absorvente.
Nova Friburgo também me aproximou da indústria da moda. Trabalhei como modelo, depois me tornei fotógrafa, que é a minha formação, e foi nesse percurso que, junto com outras mulheres, comecei a construir minha atuação no movimento negro.
Quando compreendi minha própria identidade como mulher negra, entendi também que a política poderia ser um instrumento de transformação. Essa caminhada me levou até a Câmara Municipal, onde me tornei a vereadora mais votada da cidade.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na política e como essa experiência vai influenciar seu trabalho como parlamentar?
Um dos maiores desafios foi ser uma mulher negra eleita em uma cidade conservadora e enfrentar o racismo de forma tão direta. Fui a mulher negra mais votada da cidade e vivi situações em que precisava dividir meu tempo entre o gabinete e a delegacia por causa das violências e dos ataques que recebia nas redes sociais.
Isso interfere diretamente no trabalho de uma parlamentar, porque o tempo que deveria estar sendo usado para construir políticas públicas acaba sendo consumido pela necessidade de responder a ataques e crimes.
Mas essa experiência também reforçou em mim a certeza de que precisamos estar nesses espaços. Uma mulher prefeita, vereadora ou deputada precisa deixar de ser tratada como exceção. Precisamos naturalizar a presença das mulheres na política, especialmente das mulheres negras.
Quais serão as prioridades do seu mandato?
Quero levar para Brasília pautas que já fazem parte da minha trajetória, como os direitos das mulheres, os direitos da população negra e as necessidades da Região Serrana e do interior do Rio de Janeiro.
Também quero defender a liberdade religiosa e a dignidade do povo de axé. O Parlamento precisa garantir que pessoas de diferentes religiões possam exercer sua fé e viver suas tradições com respeito.
E falar de mulheres negras significa discutir muito mais do que uma pauta específica. Significa falar de transporte, educação, saúde, rede de apoio, trabalho e dignidade. Quando colocamos as mulheres negras no centro das políticas públicas, estamos discutindo problemas que atravessam grande parte da sociedade brasileira.
Na sua visão, qual é hoje um dos maiores desafios do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta para enfrentá-lo?
O Rio de Janeiro é um estado muito diverso, mas muitas vezes a política é pensada como se o estado se resumisse à capital e à Região Metropolitana. Eu venho do interior e conheço de perto essa realidade.
Precisamos fazer política também para quem vive longe dos grandes centros. Existem municípios e regiões inteiras que precisam ser mais ouvidos e participar das decisões.
Quero levar para Brasília essa perspectiva de dentro para fora: uma política que enxergue o interior, dialogue com seus moradores e compreenda que as necessidades do Rio de Janeiro são diferentes de território para território.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população ao longo de todo o mandato e não apenas no período eleitoral?
As redes sociais sempre fizeram parte da minha trajetória, inclusive antes da política. Quando me tornei vereadora, trouxe essa experiência para a forma como presto contas e dialogo com a população.
Acredito que tudo que é público precisa ser realmente público. Isso inclui mostrar aquilo que o mandato está fazendo, explicar as pautas que estamos defendendo e permitir que as pessoas participem desse processo.
Quero manter essa transparência durante os 365 dias do ano, seja conversando com alguém em uma praça, seja mostrando o trabalho realizado dentro do Parlamento. Se a população acompanha e participa, o mandato tem muito mais condições de representar aquilo que as pessoas realmente precisam.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
Precisamos ampliar a representação política e abrir espaço para novas gerações. Muitos jovens não se sentem convidados a participar da política e, mesmo quando participam, raramente encontram espaço para protagonizar candidaturas e decisões.
Quero levar para Brasília uma nova forma de diálogo, com disposição para debater, negociar e construir soluções em torno daquilo que interessa à população.
Minha trajetória mostra de onde eu vim, o que já enfrentei e quais pessoas quero representar. Quero levar essa experiência para o Congresso e contribuir para que mais mulheres negras, jovens, pessoas do interior e das periferias também se reconheçam na política.
Maíara Felício, candidata a deputada federal, 1307. A coragem tem voz.




