Marco Aurélio Barreto construiu sua trajetória entre a saúde, as Forças Armadas e o trabalho comunitário. Médico, profissional da área de saúde mental e tenente-coronel reformado do Exército, participou da implantação do SUS e da criação de programas de saúde mental e de prevenção à dependência química em Itaguaí. Desde jovem, atua em movimentos de base e nas pastorais da Terra, do Negro, da Saúde, da Criança e da Juventude. Agora, é candidato a deputado estadual pelo PT para defender a saúde pública, a educação, a segurança e a construção coletiva de políticas para todo o Rio de Janeiro.
Quem é Marco Aurélio Barreto e por que você é candidato nas eleições de 2026?
Marco Aurélio Barreto é um utópico, sonhador, batalhador, trabalhador e construtor de plataformas e projetos coletivos.
Eu acredito na coletividade, no bem comum e nas pessoas de bem que querem construir um Rio de Janeiro e um Brasil melhores do que temos agora.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que explica por que você decidiu ser candidato agora?
Eu sou oriundo de Itaguaí, de uma família de dez pessoas, que vivia da agricultura de subsistência na periferia, em um local muito discriminado. Tive a sorte de ter dois pais que foram símbolos para mim. Minha mãe valorizava a educação e meu pai, o trabalho. Esses dois valores foram muito estimulados dentro de casa.
Ao mesmo tempo, a gente convivia com a carência, com a ausência do poder público e com a violência relacionada à posse da terra. Eu sempre tive o sonho de que o bem fosse comum e de que a felicidade fosse para todos.
Em cada degrau da minha formação, sempre enxerguei essa questão comunitária. Desde 1978, já participava de uma equipe que hoje se chama Associação Filantrópica Equipe Luz. Junto com a formação acadêmica, tive essa formação cidadã. A Diocese de Itaguaí era progressista e a Teologia da Libertação nos ensinava que deveríamos ver, julgar e agir.
Participei das pastorais da Terra, do Negro, da Saúde, da Criança e da Juventude. Em 1989, fui convocado para o Exército e tive outra formação cidadã, com uma visão maior sobre o Estado e a nação brasileira.
Estudei em instituições públicas e acredito que a gente precisa multiplicar e socializar o conhecimento. Recém-formado, participei ativamente da implantação do SUS em Itaguaí, da formação do Programa de Saúde Mental e do Programa de Prevenção Integral à Dependência Química, sempre buscando fortalecer a saúde pública. Também trabalho na saúde privada, em consultório.
A minha visão de comunidade e de sociedade parte da necessidade de distribuir a riqueza, somar esforços, participar, reunir e articular as pessoas para que a gente possa construir o país e o estado dos nossos sonhos.
Tivemos vários avanços durante os governos do PT, mas ainda precisamos ampliar esse conhecimento, fortalecer a população e produzir mais inclusão e defesa dos menos favorecidos. Isso passa pela defesa da saúde, da segurança, da mulher, da criança e do idoso.
Participando do Legislativo, podemos construir leis que ofereçam à sociedade a base para novas políticas públicas, partindo do que já foi construído e também daquilo que ainda enxergamos como privação de direitos.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou e como essa experiência vai influenciar seu trabalho como parlamentar?
Já enfrentei inúmeros desafios. Quando morávamos na comunidade de Itinga, na periferia de Itaguaí, passamos por um momento muito difícil relacionado à posse da terra. Meus pais eram analfabetos e apareceu um documento no qual a minha mãe supostamente reconhecia que estava entregando a terra. Segundo ela, nunca havia colocado a digital naquele documento.
Na época, eu participava da Pastoral da Terra. Lutamos muito, mas não conseguimos e tivemos que sair. Fomos para outra comunidade, no bairro Leandro, e recomeçamos o processo de construção e organização da família.
Quando o Arco Metropolitano passou pela região, a família voltou a enfrentar pressões para sair imediatamente. Como a família era grande, era preciso encontrar um lugar para cada pessoa. Durante esse processo, as máquinas trabalhavam dia e noite, como um bate-estaca, até que a estrutura de uma parede se rompeu e meu irmão morreu soterrado.
A questão da terra sempre acompanhou a nossa família. Continuo morando na periferia por opção e por acreditar na organização da base. Todas as terças, quintas e sábados, nós nos reunimos e acolhemos crianças e adolescentes com trabalhos de psicoeducação, cultura e arte, sempre buscando organizar a comunidade diante da ausência do poder público.
Também enfrentamos a violência e a insegurança. Em determinados momentos, você pode sofrer pressões tanto da milícia quanto do tráfico. É um trabalho de resistência.
Outra dificuldade é ser transparente na sua escala de valores e naquilo em que acredita. Eu defendo a inclusão da população negra e da comunidade LGBT. Fui do Exército e sou tenente-coronel reformado. Existe muita pressão no meio militar sobre quem é diferente ou demonstra uma sensibilidade mais aflorada.
Minha área sempre foi a psiquiatria e a saúde mental. Fui responsável por pareceres e laudos e precisei resistir às pressões para defender quem estava sofrendo, quem enfrentava um padecimento mental ou emocional.
Também trabalhei na prevenção à dependência química. Participamos de um grande projeto no Exército, com a formação de agentes multiplicadores em 54 unidades militares do estado do Rio de Janeiro durante dez anos. Depois, levamos essa experiência para Itaguaí e criamos um centro de prevenção integral às drogas, que chegou a ter mais de 2.400 pacientes inscritos.
Com a mudança de governo, o projeto foi fechado de um dia para o outro. Eu estava dando aula em um curso de formação de multiplicadores e fui convidado a me retirar quando faltavam apenas três dias para a formatura da 34ª turma. Mesmo assim, não abandonamos a causa e conseguimos concluir o curso.
Muitas vezes, uma boa proposta e um bom projeto se perdem porque as lideranças mudam. Por isso, apresento-me como candidato ao Legislativo. Quero ajudar a transformar boas ideias em leis para que as políticas públicas tenham continuidade, sejam afirmativas, propositivas e contribuam para a paz social.
Quais serão as três prioridades absolutas do seu mandato no primeiro ano?
As minhas prioridades estão relacionadas à minha formação acadêmica, espiritual e cidadã.
Sou médico e profissional de saúde. Por isso, terei um olhar muito carinhoso para a saúde integral, sem pensar apenas em uma especialidade ou categoria. Quero incluir os diferentes profissionais envolvidos, valorizar quem precisa do atendimento, quem executa o trabalho e também os grandes pensadores da área.
Outra prioridade é a educação. Todos nós tivemos um professor. Eu sempre trabalho com a questão da educação porque não basta atender, orientar ou palestrar. É preciso apresentar embasamento e continuar aprendendo.
Mesmo durante a campanha, participei de um estudo sobre um novo medicamento que pode complementar os tratamentos já existentes para pessoas com depressão que ainda não recuperaram plenamente a sua funcionalidade. Eu precisava aprender para, futuramente, poder compartilhar esse conhecimento.
A terceira prioridade é a segurança, mas não uma segurança baseada apenas no aparato policial. Eu acredito na cultura, na arte, na proximidade com a população, na valorização dos talentos e na promoção desses talentos como caminhos para favorecer a paz social.
Por isso, defendo uma segurança ligada à cultura, à educação e à saúde integral.
Na sua visão, qual é o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?
Uma grande dificuldade é a infiltração de poderes baseados no capital, independentemente do segmento ou da representação, tentando enfraquecer a consciência do eleitor.
Existe a pressão de um poder econômico que investe fortunas nas campanhas e depois cobra a fatura. O desafio é transformar em realidade uma proposta baseada no valor coletivo e na construção de um estado e de municípios mais prósperos e desenvolvidos, mesmo sabendo que existem grandes grupos financiando campanhas para garantir seus interesses no futuro.
A minha visão é socialista, de divisão do poder e promoção do bem-estar. Sou médico e tenente-coronel, mas sei que não é fácil ascender socialmente.
Meu compromisso será com um gabinete aberto e democrático, no qual as pessoas sejam acolhidas. Toda ideia que contribua para o desenvolvimento e para a harmonização do nosso estado será recebida.
Não acredito no trabalho feito sozinho. Será um trabalho de articulação. Vamos lutar para que a bancada do PT e de toda a Federação seja forte e faça o contraponto à influência de um capital que, muitas vezes, tem como lastro o sangue, a morte e o assassinato.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você e o que pode esperar da sua atuação?
O eleitor deve confiar o voto em mim porque acredito no planejamento estratégico. Não será apenas a minha ideia, a minha decisão ou o meu voto.
Um projeto de lei será construído a partir de todo um trabalho de estruturação, para que cada pessoa e cada segmento se sintam verdadeiramente representados.
Também não acredito em algo engessado. Faremos avaliações constantes para verificar se as estratégias estão de acordo com as metas e se alguma mudança será necessária.
O gabinete será aberto e vamos aproveitar os talentos. Também estarei aberto às críticas, ouvindo quem tem competência, sensibilidade e embasamento para ajudar a evitar qualquer tipo de desvio.
A confiança não será cobrada apenas daqui a quatro anos. Quero avaliações periódicas e a possibilidade de reestruturar o trabalho sempre que for necessário e quando o grupo decidir. É assim que eu acredito.
Eu sou Marco Aurélio Barreto. Meu número é 13433.




