Amélia Leal é cantora profissional, produtora de eventos e militante do Partido dos Trabalhadores. Nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro, em Brás de Pina, é filha de ferroviário e cresceu acompanhando o pai em sindicatos e atividades políticas. Ao longo da vida, dedicou-se à cultura, ao trabalho com idosos, à proteção dos animais e a ações de solidariedade. Aos 74 anos, é candidata a deputada federal porque acredita que experiência não pode ser tratada como incapacidade e quer levar ao Congresso a defesa da terceira idade, da cultura, dos trabalhadores e dos animais.

Quem é Amélia Leal e por que você é candidata nas eleições de 2026?

Eu sou Amélia Leal, candidata a deputada federal pelo PT. Nasci em Brás de Pina, no subúrbio do Rio de Janeiro, e sou filha de ferroviário. Meu pai já participava da política e do movimento sindical, e eu cresci acompanhando muito disso. Essa vontade de participar da vida política sempre esteve comigo.

A vida me levou por outros caminhos. Casei, construí minha família e fui trabalhar com cultura, mas nunca deixei de fazer política de alguma maneira. Há muitos anos desenvolvo trabalhos com idosos, com pessoas em situação de vulnerabilidade, com os animais e com a cultura.

Também sou cantora profissional e conheço de perto uma realidade que muitas pessoas não enxergam: artistas envelhecem e vão perdendo espaço. Muitas mulheres com mais de 50 ou 60 anos ainda querem cantar, tocar, trabalhar e participar da vida cultural, mas encontram poucas oportunidades. Quero lutar para mudar isso.

Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?

A cultura sempre esteve presente na minha trajetória. Sou cantora profissional, promovo eventos e, durante muitos anos, trabalhei levando música e alegria para diferentes lugares. Também sempre procurei abrir espaço para cantoras que não estavam na mídia, principalmente mulheres mais velhas.

Minha relação com a política também começou muito cedo. Eu acompanhava meu pai nos sindicatos e aprendi com ele a importância da organização e da participação. Depois do casamento, essa trajetória foi interrompida de certa forma, mas nunca abandonei a política nem o trabalho social.

Hoje vejo que chegou o momento de transformar essa experiência em atuação parlamentar. Quero trabalhar por quem muitas vezes não é lembrado: os idosos, os animais abandonados, os trabalhadores e as pessoas que precisam de acolhimento e oportunidade.

Qual foi o maior desafio que você já enfrentou e como essa experiência vai influenciar o seu trabalho como parlamentar?

Um dos desafios que mais me preocupa é a forma como muitas pessoas são tratadas quando envelhecem. Existe muita discriminação contra a terceira idade, como se chegar a uma determinada idade significasse que a pessoa não pode mais trabalhar, criar, cantar, participar da política ou contribuir para a sociedade.

Eu tenho 74 anos, continuo trabalhando e continuo na luta. A idade traz experiência. Precisamos parar de enxergar as pessoas mais velhas como se elas não tivessem mais nada a oferecer.

Também me preocupa a realidade dos trabalhadores. Muitas pessoas acumulam funções, trabalham em condições difíceis e, às vezes, nem possuem um espaço adequado para descansar durante o horário de almoço. Precisamos olhar mais para a dignidade de quem trabalha.

E existe ainda a população em situação de rua. Não podemos passar pelas pessoas como se elas fossem invisíveis. Antes de julgar, precisamos entender o que aconteceu e oferecer acolhimento. Eu não posso mudar o mundo sozinha, mas posso tentar melhorar um pouco a realidade de quem está perto de mim.

Quais serão as três prioridades do seu mandato?

Uma das minhas principais prioridades será a terceira idade. Quero criar políticas que façam os idosos saírem de casa, tenham acesso à cultura, ao lazer e à convivência. Muitas pessoas envelhecem com uma aposentadoria pequena, ficam isoladas e acabam entrando em depressão. Envelhecer não pode significar deixar de viver.

Outra prioridade será a cultura. Quero ampliar os espaços para artistas da terceira idade, especialmente mulheres que continuam cantando, tocando e produzindo, mas perderam espaço no mercado. Jovens e idosos podem trabalhar juntos. Precisamos criar oportunidades para que essa troca aconteça.

Também quero trabalhar pela proteção dos animais. Muitos idosos têm animais de estimação e, mesmo recebendo pouco, deixam de comprar coisas para si para conseguir alimentar seus bichos. Precisamos pensar em políticas que ajudem famílias de baixa renda a garantir alimentação e atendimento veterinário para esses animais. Amar os animais também significa cuidar deles.

Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população durante todo o mandato?

Vou fazer o que já faço há muitos anos: estar nas ruas e perto das pessoas. Eu trabalho diretamente com a população há décadas e não quero ser uma deputada que fica apenas dentro do gabinete.

Faço ações sociais, trabalho com pessoas em situação de rua, distribuo alimentos quando posso e participo de atividades com idosos e com a comunidade. Quero continuar fazendo isso durante o mandato, mas com mais condições para desenvolver projetos e alcançar mais pessoas.

Também sei que estou entrando em uma nova etapa e que vou precisar aprender muito. Quero contar com a experiência do partido e de pessoas que possam contribuir comigo. Mas vontade de trabalhar eu tenho. Quero correr atrás, fazer projetos e continuar presente onde as pessoas estão.

O que a terceira idade representa na sua candidatura?

Representa uma parte muito importante da minha luta. Existe uma ideia de que uma pessoa mais velha precisa ficar dentro de casa, mas nós estamos vivos. Podemos cantar, tocar, trabalhar, estudar, fazer política e conviver com pessoas de todas as idades.

Eu trabalho há muitos anos com cantoras e artistas da terceira idade. Já vi mulheres voltarem aos palcos, cantarem em português e em inglês, tocarem instrumentos e dividirem apresentações com artistas mais jovens. Isso devolve alegria e autoestima.

Quero ampliar esse tipo de oportunidade. A terceira idade precisa de cultura, lazer, convivência e espaço para continuar realizando sonhos. Idade não pode ser motivo para excluir ninguém da sociedade.

Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?

Eu peço que o eleitor conheça primeiro a história da Amélia Leal. Sou uma mulher simples, que veio de Brás de Pina, que já morou em barraco, passou por muitas dificuldades e ajudou a criar e formar os irmãos. E, mesmo depois de tudo isso, nunca deixei de tentar fazer o bem.

Não quero fazer promessas que não posso cumprir. Sei que aprovar um projeto é difícil, mas precisamos tentar. Não podemos ficar em casa e desistir porque alguma coisa parece difícil.

Benedita da Silva foi uma pessoa muito importante para que eu continuasse nessa caminhada. Em um momento em que comecei a pensar que minha idade poderia ser um impedimento, ela me deu força para seguir.

Hoje estou aqui para mostrar que não existe idade para lutar pelo que acreditamos. Se eu tiver a oportunidade de chegar à Câmara dos Deputados, quero trabalhar pela terceira idade, pela cultura, pelos animais, pelos trabalhadores e por quem mais precisa.

Eu sou Amélia Leal, 1304. Comigo, vem!