Benny Briolly nasceu e cresceu nas favelas da Zona Norte de Niterói. Filha de porteiro e cabeleireira e neta de lavadeira, foi a primeira pessoa de sua família a conquistar um diploma. Forjada nos movimentos sociais, fez história como a primeira mulher trans eleita e reeleita vereadora no estado do Rio de Janeiro. Agora, é candidata a deputada federal para levar a Brasília a luta da classe trabalhadora, das mulheres, da população negra, das favelas, das periferias e das pessoas LGBTQIA+.
Quem é Benny Briolly e por que você é candidata nas eleições de 2026? Eu sou Benny Briolly e digo que sou a história que o Brasil não contou. Eu nasci e fui criada nas favelas da Zona Norte de Niterói. Sou filha de porteiro com cabeleireira, neta de lavadeira, e entendi que a política era uma ferramenta de transformação para a minha vida. Benny Briolly é a força e a luta de todo trabalhador e de toda trabalhadora que, como a minha avó e os meus pais, sonharam em criar uma vida diferente para os seus filhos. Eu fui a primeira pessoa da minha casa a conquistar um diploma, a primeira pessoa formada da minha família. Hoje, sou uma mulher trabalhadora e pilar da minha casa. Mas também sou a força para que você, da favela e da periferia, você, mulher, LGBTQIA+ ou qualquer pessoa que sonhe com dignidade e cidadania, tenha coragem para enfrentar os covardes, o fascismo e aqueles que historicamente negaram os nossos direitos. Eu quero ser uma ferramenta de transformação e de esperança para quem sonha em vencer os desafios da vida. Você é a primeira mulher trans eleita e reeleita vereadora no estado do Rio de Janeiro, com uma atuação forte na defesa dos direitos humanos e da representatividade. Como essa trajetória molda sua candidatura a deputada federal? Eu costumo dizer que ser a primeira é sempre um desafio muito grande. Ser a primeira mulher trans eleita e reeleita me traz a responsabilidade de fazer com que a população do Rio de Janeiro entenda como é forte a violação de direitos contra as pessoas LGBTQIA+, que ainda são excluídas e jogadas às margens da sociedade. Mas também é uma missão da qual tenho muito orgulho, porque eu fui forjada nos movimentos sociais, na dor e na luta para ocupar esse lugar. Chegar a Brasília não é apenas um sonho da Benny. É um sonho coletivo, dos movimentos sociais, das pessoas LGBTQIA+ expulsas de casa, dos trabalhadores e das trabalhadoras e da juventude preta, pobre e periférica. É o sonho de quem vive no subúrbio, na Zona Norte, na Zona Oeste, na Baixada Fluminense e na Costa Verde. De quem sabe a dificuldade de contar moedas para comprar o pão, enfrenta o assédio no transporte público, o racismo, a intolerância religiosa e a falta de emprego. É o sonho da mãe que vê o filho crescer sem a oportunidade de fazer um curso pré-vestibular e entrar na universidade. Eu sou a prova concreta desse enfrentamento pela garantia dos nossos direitos e sou uma voz que leva tudo isso para o Parlamento. Eu sou porque nós somos. Niterói foi o lugar onde fizemos história e construímos um marco gigante. Agora, vamos levar a sua luta, a sua dor, o seu projeto e a sua voz para Brasília. Na Câmara Municipal de Niterói, você enfrentou episódios de violência política motivados por transfobia. Qual foi o momento mais difícil dessa experiência e como ele vai influenciar seu trabalho como deputada federal? Eu enfrentei a transfobia na Câmara Municipal de Niterói, mas enfrento a transfobia desde que me entendo por gente. Já enfrentei nas esquinas, nos guetos, nas vielas, nas escolas, na universidade e até mesmo na Assembleia Legislativa. Fui o primeiro caso do Brasil a vencer um processo com base na Lei de Violência Política contra a Mulher. Foi uma vitória para nós, mulheres de diferentes identidades. Como mulher trans, costumo dizer que o desafio de permanecer viva já é muito grande. Permanecer viva politicamente é algo que vocês fazem acontecer, com energia, força e luta, para me manter de pé. O Brasil é um dos países que mais mata travestis e mulheres transexuais. Agora, imagina quererem também nos matar politicamente. Imagina entrar todos os dias em um Parlamento ocupado por muitos homens e ver o seu corpo sendo hostilizado, rechaçado e, nos bastidores, assediado. Toda mulher sabe o que isso significa. A gente enfrenta isso em casa, na família, no trabalho, na rua e em todos os lugares. Mesmo assim, nunca deixamos de sonhar com uma sociedade justa e igualitária. A violência política de gênero é mais um desafio que nós, mulheres, precisamos enfrentar. Estou pronta para chegar ao Congresso Nacional e construir diretrizes para que mais mulheres possam participar da política com segurança e estrutura, sem sofrer as violências que esses homens foram ensinados a reproduzir. Quais serão as três prioridades do seu mandato? Desde que fui eleita, as pessoas perguntam quais são as prioridades do meu mandato. Eu costumo dizer que a prioridade é a luta por direitos e a classe trabalhadora. A classe trabalhadora tem gênero, orientação sexual, identidade, território, CEP e uma complexidade muito grande. A nossa luta já não é somente por comida no prato. A gente quer cultura, educação, casa, renda e emprego. A gente quer ver os nossos filhos, sobrinhos e toda a nossa família ascendendo economicamente. Em Brasília, quero transformar algumas dessas lutas em políticas de Estado. Uma delas é criar o primeiro auxílio-moradia para as pessoas LGBTQIA+ expulsas de casa. Sempre dizem que é preciso criar mais abrigos, mas você gosta de morar em abrigo? Gosta de ser obrigada a dividir a casa ou o quarto com alguém? Quem é expulso de casa, rechaçado e violentado precisa de uma política que garanta moradia, permanência, cidadania e direitos humanos. Outra prioridade é fazer com que a laicidade do Estado seja respeitada de verdade. Pessoas do candomblé, da umbanda e de outras religiões de matriz africana ainda sofrem demissões, perseguições e intolerância por causa da sua fé. Quero incluir na legislação trabalhista o direito aos 21 dias de afastamento para o cumprimento de preceito religioso. Amém para quem é de amém, axé para quem é de axé, e respeito para todas as pessoas. Também quero levar ao Congresso Nacional a construção de um piso para as diaristas. Hoje, plataformas digitais cobram caro por uma faxina, enquanto a trabalhadora recebe uma parte muito pequena desse valor. Eu sou neta de lavadeira e sei o que significa o dinheiro que uma trabalhadora junta todos os dias pensando no futuro dos filhos e da família. Quero construir essa proposta ouvindo quem limpa casas todos os dias e precisa ter o seu trabalho valorizado. Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo? O maior desafio é fazer com que a política compreenda que a gente não aceita mais o Rio de Janeiro do jeito que está. Nós somos a maioria da população. Somos a população trabalhadora que pega ônibus lotado, recebe um salário que não acompanha a inflação, vive na informalidade e no subemprego e já não aguenta mais uma jornada excessiva de trabalho. Há jovens de 16, 17 e 18 anos nas favelas, nas periferias, no subúrbio e no interior que nunca foram ao cinema e nunca tiveram acesso ao teatro, à cultura e à cidadania. Durante muito tempo, a política foi ocupada por homens brancos, engravatados e herdeiros de um legado político que não viveram a nossa realidade. Eles não sentiram a fome, o racismo, o assédio, a violência doméstica, a violência obstétrica ou a dupla e tripla jornada enfrentada pelas mulheres. Também não sentiram a dor de perder um primo, um irmão ou um pai para a violência do Estado. Podem até ser aliados importantes, mas somente quem viveu sabe o que precisa colocar no papel. O desafio é transformar a política do Rio de Janeiro para que ela tenha a voz, a complexidade e a materialidade do nosso povo. É devolver para você aquilo que é seu por direito. Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população? O meu diálogo com a população vai além de ser direto e transparente. Eu sou uma mulher que está na rua o tempo inteiro. Gosto de estar na rua porque nasci e fui criada nas esquinas e nas ruas. As pessoas me encontram nos eventos políticos, nos momentos de lazer, nas ruas e também no meu espaço de atendimento e no meu gabinete. Faço questão de atender e de ouvir. Os meus projetos são construídos a partir das necessidades que surgem dessa escuta. O nosso mandato já é transparente, mas um mandato federal terá mais estrutura, mais participação popular e também mais segurança para que eu possa circular. Será um mandato ainda mais forte, construído e formulado pelo povo do estado do Rio de Janeiro. Por que o eleitor deve confiar mais uma vez o voto em você? As pessoas precisam se perguntar por que votam e em quem votam. Votar em mim é votar em um projeto político de transformação do Brasil. Eu sou feliz, vivo a minha vida e gosto de ser como sou. Amo moda, cultura, diversão e amo sonhar. Mas também sou uma mulher trabalhadora, que não baixa a cabeça, não se vende na política e ama um desafio. O meu desafio é fazer, conquistar e permitir que vocês também avancem. É garantir que a população pobre, preta e favelada tenha casa, carro, prosperidade e seja honrada pelo seu trabalho. A classe trabalhadora precisa exercer plenamente a cidadania. Precisa poder viajar com os filhos, ir ao teatro, ter lazer dentro de casa e presentear uma criança no aniversário sem se endividar. Precisamos de uma economia criativa e solidária transformada em política pública nacional. O orçamento brasileiro precisa garantir saúde, educação, lazer, acessibilidade e mobilidade urbana para nós, que somos a maioria e construímos este país. O Parlamento não é o começo e nem o fim de nenhuma luta. É apenas uma ferramenta. E essa ferramenta, Benny Briolly tem usado muito bem. Agora, vai chegar a Brasília e trabalhar com excelência. Eu sou Benny Briolly e costumo dizer: vai ser tudo nosso e nada deles. Para deputada federal, vote Benny Briolly, 1350.




