Indianarae é ativista de direitos humanos, dos direitos das pessoas LGBTQIA+ e trans e da defesa dos animais. Nascida em Paranaguá, no Paraná, e de ascendência guarani, construiu sua trajetória a partir da militância e de experiências pessoais marcadas pela discriminação e pela vulnerabilidade. Também participou da criação de casas de acolhimento e de uma rede voltada a pessoas em situação de vulnerabilidade. Agora, coloca essa experiência a serviço de uma candidatura comprometida com direitos, igualdade, moradia, educação, saúde e segurança pública.
Quem é Indianarae e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Sou uma das fundadoras do movimento LGBTQIA+ e do movimento trans no Brasil, ao lado de outras importantes ativistas. Sou de Paranaguá, no Paraná, tenho ascendência guarani e construí minha vida na luta pelos direitos humanos e pelos direitos dos animais.
Sou vegana, de esquerda progressista e acredito que o Brasil precisa avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Minha candidatura nasce justamente dessa vontade de transformar em política institucional muitas das lutas que já fazemos há anos nas ruas e nos movimentos sociais.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e do que explica por que você decidiu ser candidata agora.
Minha trajetória foi marcada por experiências muito duras, como viver na rua, enfrentar discriminação e sentir no próprio corpo diferentes formas de preconceito. Isso moldou profundamente a maneira como compreendo a política e os direitos humanos.
Foi vivendo essas situações que passei a lutar para que outras pessoas não precisem enfrentar as mesmas opressões. Essa atuação me aproximou das mulheres, especialmente mães solo e chefes de família, da população LGBTQIA+, das pessoas em situação de vulnerabilidade e também da defesa dos animais.
Minha militância nunca ficou restrita a uma única pauta. Quando você está nos territórios e convivendo com diferentes pessoas, percebe que moradia, alimentação, saúde, educação, trabalho e dignidade estão todos conectados.
Qual foi um dos maiores desafios da sua trajetória e como essa experiência vai influenciar seu trabalho parlamentar?
Um dos maiores desafios foi participar da criação de casas de acolhimento e, depois, de uma rede brasileira de casas de acolhimento. Essa experiência mostrou de maneira muito concreta que muitas pessoas precisam primeiro de um lugar seguro para viver.
Mas também aprendemos que moradia sozinha não resolve tudo. As pessoas precisam de segurança alimentar, educação pública de qualidade, saúde, acesso à ciência e tecnologia e condições para reconstruir suas vidas.
Essa experiência ampliou muito a minha visão sobre políticas públicas. Um mandato precisa olhar para as pessoas de forma integral e compreender que os problemas sociais estão conectados.
Quais serão as prioridades do seu mandato?
Uma das prioridades será a defesa das mulheres, especialmente aquelas que enfrentam violência, sobrecarga de trabalho, dificuldades para sustentar suas famílias e obstáculos para exercer seus direitos.
Outra prioridade será a população LGBTQIA+, com políticas de acolhimento, proteção e garantia de direitos.
Também quero fortalecer a defesa dos animais e ampliar políticas voltadas ao meio ambiente. Ao mesmo tempo, essas pautas precisam estar conectadas a questões básicas como moradia digna, segurança alimentar, saúde pública e educação pública de qualidade.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?
Um dos problemas mais graves é a relação entre crime organizado e política, além da própria corrupção dentro das instituições. Precisamos afastar essas relações e fortalecer uma política realmente comprometida com a população.
Também precisamos discutir segurança pública de outra maneira. Segurança não pode ser pensada apenas a partir dos interesses de determinados setores. Ela precisa chegar às pessoas das favelas e das periferias, que também têm direito à cidade.
Isso envolve segurança, mas também mobilidade urbana, acesso ao lazer, educação e saúde. As pessoas precisam conseguir circular pela cidade e também encontrar oportunidades e equipamentos públicos dentro dos próprios territórios onde vivem.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população ao longo de todo o mandato?
Esse diálogo já faz parte da minha trajetória como ativista. Quero construir um mandato na rua, popular e feito junto com as pessoas.
Não quero um mandato que fique esperando a população chegar até um gabinete. A equipe precisa estar nos territórios, participando da vida das comunidades, ouvindo as demandas e buscando soluções junto com quem vive os problemas.
A política precisa ser construída com participação. As pessoas precisam poder opinar, cobrar e ajudar a definir os caminhos do mandato.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
Minha trajetória não começou com uma candidatura. Antes de ter mandato, eu já atuava na defesa da população LGBTQIA+, dos direitos dos animais, do meio ambiente, da segurança alimentar e de outras pautas sociais.
Essa experiência como ativista será o ponto de partida do mandato. Quero ampliar um trabalho que já existe e abrir espaço para que ainda mais pessoas tragam suas experiências e participem dessa construção.
Acredito em uma sociedade mais justa e igualitária, em que todas as pessoas sejam vistas, tenham seus direitos respeitados e possam viver com dignidade. É isso que quero levar para a política institucional.




