Thaysa Ventura é mãe solo de três crianças e mãe atípica de sua filha do meio. Trabalha com a internet, onde fala para mais de um milhão de pessoas e mostra às mulheres que a vida não acaba com a maternidade. Também é produtora cultural e desenvolve projetos ligados à corrida e ao samba. Agora, é candidata a deputada estadual para usar o seu alcance como porta-voz das pessoas, dar visibilidade aos movimentos sociais e defender mais autonomia, oportunidades e direitos para as mulheres e suas famílias.

Quem é Thaysa Ventura e por que você é candidata nas eleições de 2026?

Bom, eu sou a Thaysa, tenho 35 anos, sou mãe solo de três crianças e mãe atípica da minha filha do meio. Hoje, trabalho com a internet e o meu trabalho é mostrar para as mulheres que a vida não acaba com a maternidade. Esse é o meu objetivo.

Dentro dessa gama de possibilidades que a vida nos traz, fui para o lado cultural. Sou produtora cultural, que é o que eu amo fazer. Hoje, tenho dois projetos culturais: um voltado para a corrida e outro para o samba.

Essa é a ideologia que levo para a minha vida: independentemente de ser mãe ou não, você é capaz de fazer o que quiser e de correr atrás dos seus sonhos.

Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?

Eu sempre fui a chefe da minha casa. Sempre sustentei os meus filhos e a minha casa. A internet fez com que eu tivesse essas possibilidades.

O meu trabalho na internet sempre foi mostrar para as mulheres que elas não precisavam permanecer dentro de relacionamentos ruins nem continuar em situações nas quais não estavam felizes. Elas poderiam modificar as suas vidas, conquistar autonomia e recuperar a própria identidade.

Só que chegou um momento do meu trabalho na internet em que percebi que estava fazendo pouco pela minha comunidade. Apenas a influência que eu estava levando não era suficiente para fazer o bem que eu gostaria para quem me seguia.

Acredito que ter alcance hoje é um privilégio. Eu tenho um alcance muito grande e falo para mais de um milhão de pessoas nas minhas redes sociais.

Poder usar esse alcance para correr atrás de objetivos em comum, dar voz aos movimentos sociais e representar a vontade do meu público é o que me move na política.

Hoje, estou aqui para ser porta-voz das pessoas que me seguem, movimentar a esquerda de uma forma limpa e mostrar tudo o que a gente pode fazer quando se une.

Qual foi o maior desafio que você já enfrentou e como essa experiência vai influenciar o seu trabalho como parlamentar?

Acho que o meu maior desafio é ser mulher. E acredito que esse seja um desafio em qualquer área. A gente tem uma dificuldade muito grande de ser vista com credibilidade, independentemente da capacidade e do estudo que tenha.

Sendo uma mulher preta, acho que fica duas vezes mais difícil. Chegar até onde cheguei no meu trabalho, sendo uma mãe solo preta, foi muito difícil.

Essa força que tive é a força que também vou levar para a política, para mostrar que a gente tem voz e pode fazer o que quiser.

Quais serão as três prioridades do seu mandato?

A nossa primeira pauta é o combate às bets nas redes sociais, que estão fazendo muito mal às famílias do Rio de Janeiro e de todo o Brasil.

No Rio, esse problema tomou uma proporção absurda. A Prefeitura já sancionou a proibição da divulgação das bets nos espaços públicos, mas isso vale apenas para o município. A gente quer estender essa proibição para todo o estado.

Também queremos lutar para que as creches tenham uma abrangência maior, tanto no número de crianças atendidas quanto no horário de funcionamento.

Existem mães que saem do trabalho às cinco, seis ou sete horas da noite e não têm uma rede de apoio. A nossa intenção é conseguir ampliar esse horário para que essa mãe possa trabalhar e evoluir como pessoa.

A terceira pauta é fomentar o movimento cultural no Rio de Janeiro. Queremos fazer com que os pequenos empreendedores e produtores tenham apoio fiscal para que esses movimentos ganhem mais força.

Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta para enfrentá-lo?

O maior desafio do Rio de Janeiro hoje, na minha opinião, é a segurança. A segurança já é uma questão muito delicada para os homens no Rio de Janeiro, mas, para as mulheres, é duas ou três vezes mais.

Um homem sai de casa com medo de voltar sem o celular ou sem os seus pertences. Uma mulher sai com medo de ser violentada ou de passar por algum assédio.

Por isso, acho que o principal problema do Rio de Janeiro hoje é a segurança. A gente precisa tratar essa questão de uma forma muito delicada.

Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população durante todo o mandato?

Acho que o fato de eu vir das redes sociais é um facilitador nesse sentido, porque já tenho essa facilidade de estar no meio do meu público o tempo todo.

A gente mantém um diálogo aberto a todo momento nas minhas redes e no dia a dia. Também sou uma pessoa que está sempre presente nos movimentos sociais do Rio de Janeiro. Por isso, encontro frequentemente com o meu público.

Acredito que essa facilidade que já tenho vai fazer com que o nosso diálogo durante os próximos quatro anos fique cada vez mais estreito.

A gente vai manter isso porque eu não estou lá para fazer o que eu quero. Estou lá para fazer o que o meu público quer. Essa parte é muito importante.

Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?

Costumo receber muitas mensagens dizendo que escolhi a política por ser o lado mais fácil. Acho que as pessoas não têm noção do que é, de fato, trabalhar com política.

Apesar de não expor isso com frequência na internet, já tenho a minha parte militante há muitos anos. E não é mais fácil trabalhar com política. As pessoas não sabem a dificuldade que é se expor e expor os seus familiares para correr atrás de um ideal.

Hoje, tenho três coisas que são as mais importantes da minha vida: os meus filhos. Eu não faria nada que desonrasse os meus filhos ou que os colocasse em alguma situação delicada.

Então, saibam que, se estou fazendo isso, entrando na política e construindo esse movimento, é porque quero de verdade fazer a diferença para a população.

É isso que vocês podem esperar de mim. Estou aqui para ajudar a criar uma sociedade melhor para mim, para vocês e para os meus filhos, que são as pessoas mais importantes da minha vida.