Dani Nunes é muitas coisas, como ela mesma gosta de dizer. Mulher trans, moradora de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, é ex-atleta, formada em Gestão de Turismo, mestre em Relações Étnico-Raciais e especialista em Ciência Política. Sua trajetória na política nasceu das próprias experiências e ganhou força na luta coletiva. Agora, é candidata a deputada federal para colocar o clima e o território no centro do debate e levar as necessidades da Zona Oeste, das favelas, das periferias e dos trabalhadores para os espaços de decisão.
Quem é Dani Nunes e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Primeiro, eu sou muitas coisas, né? Tenho orgulho da minha ancestralidade. Sou formada em Gestão de Turismo, mestre em Relações Étnico-Raciais e tenho especialização em Ciência Política. Moro em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio.
Estou candidata porque, no meu território, não chegam muitas políticas públicas. A gente vai utilizar esse espaço para exigir aquilo que é nosso por direito.
Depois do vendaval que aconteceu, estamos aqui para exigir que as pessoas tenham dignidade por meio da construção de um clima mais sadio. O clima está castigando cada vez mais e a gente precisa debater isso em todas as instâncias, principalmente na esfera nacional.
Pretendo dialogar muito com o Ministério do Meio Ambiente e também com outros setores. A gente escolheu as pautas do clima e do território para levar a Zona Oeste para o centro do debate. E não apenas a Zona Oeste, mas todas as periferias, todas as favelas e todos os lugares onde a maioria dos trabalhadores ainda precisa muito de políticas públicas.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?
Eu fui atleta e, felizmente, não fui abortada pela minha mãe. Gosto de usar esse termo porque choca. Muitas crianças LGBT são expulsas dos seus lares por pessoas que condenam essa expressão. Eu tive a possibilidade de estudar e de ocupar espaços que normalmente não são permitidos para pessoas como eu, pessoas trans. Estudei em escola de freira, estudei em escola técnica e fui conquistando o meu lugar.
Eu não planejei ser ativista nem militante. Desde que nasci, essa pauta caiu no meu colo. Eu nem sabia, nem fazia ideia do que era isso. Mas fui resgatada pela minha amiga Franciele Gomes, que viu tanto potencial em mim e falou: “Você não pode ficar apenas construindo como uma loba solitária. Você tem que partir para os coletivos, para a luta coletiva.”
É por isso que hoje estou aqui na política. Faço política desde que me entendo por gente. Faço a política da boa vizinhança, a política de me dar bem com quem pensa diferente.
Agora, a minha missão é fazer com que as pessoas tenham um debate saudável sobre política. Aquilo que a gente odeia tem outro nome: corrupção, rachadinha e tudo mais. A política é fundamental para todas as pessoas, ainda mais nas pautas em que vou trabalhar, que são clima e território.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou e como essa experiência vai influenciar o seu trabalho como parlamentar?
Os desafios foram presentes de grego que eu sempre recebi na minha vida. Nada veio fácil. Eu sempre tive que escavar todas as vitórias que conquistei.
Com um mandato construído junto com outras pessoas que também têm o pensamento de trazer dignidade e respeito para os trabalhadores, principalmente os trabalhadores das favelas e das periferias, acredito que a gente vai conseguir fazer um excelente trabalho.
Lógico que eu não posso fazer uma previsão do que vamos enfrentar a partir do ano que vem. Não posso fazer futurologia. Mas quero deixar registrado o meu compromisso com as trabalhadoras e os trabalhadores, não apenas do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil.
Eu vou lutar pelo direito de todas as pessoas a terem o mínimo de dignidade.
Quais serão as três prioridades do seu mandato?
A gente vai querer implementar um fundo para as vítimas de desastres ambientais. Muitas pessoas não conseguem se reerguer porque perdem tudo: perdem alimentos, perdem os telhados e perdem as suas casas. Essas pessoas precisam ter condições de voltar à normalidade. Esse será um ponto em que vamos trabalhar muito.
A segunda prioridade será a implantação de uma universidade federal na região de Guaratiba, Santa Cruz ou Campo Grande.
Por último, vamos querer ampliar as escolas de tempo integral nas vilas olímpicas. Aqui no Rio de Janeiro existe o projeto Ginásio Educacional Olímpico, com escolas de período integral que ficam dentro das vilas olímpicas.
Caso não seja possível colocar uma escola dentro de uma vila olímpica, precisamos pensar na mobilidade para que os estudantes tenham uma escola integral e sejam levados para a prática de esportes.
Eu fui atleta, fui salva pelo esporte e acredito que o Brasil tem um potencial enorme para produzir novas estrelas no futebol, no vôlei e em outras modalidades.
No ano que vem, teremos a Copa do Mundo Feminina aqui no Brasil. Queremos levar essa experiência de sucesso que já existe no Rio para todo o estado e, se as deusas e os orixás quiserem, para o país inteiro.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta para enfrentá-lo?
O maior desafio do Rio de Janeiro são os politiqueiros. A gente precisa de pessoas comprometidas com a política, e não com o próprio umbigo.
Isso será um desafio porque, infelizmente, vamos precisar lidar com pessoas que fazem coerção eleitoral e tudo mais. Mas acredito que, se a gente conscientizar a população e mostrar que a nossa omissão é a arma mais poderosa que os politiqueiros usam contra nós, já será um início.
Depois, vamos traçando outras estratégias para que esses espaços de poder sejam ocupados por pessoas que tenham a cara dos meus vizinhos. A política institucional precisa parar de ser elitista e ter a nossa cara.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população durante todo o mandato?
Isso é fundamental. Eu não quero ser aquela estrela, aquele cometa Halley que passa rápido e fica dez minutinhos quando aparece.O meu diferencial é que gosto de olhar para as pessoas e gosto de ouvi-las. Acredito que o nosso mandato vai prestar contas em todo o território. Quero estar na rua e quero ouvir as pessoas.
O nosso programa não está fechado. A gente vai ouvir as demandas das pessoas ao longo dessa trajetória para construir propostas dentro dos dois temas guarda-chuva da nossa campanha, que são clima e território.
Quero que as próprias pessoas se sintam protagonistas desse processo, porque ele não é apenas meu. É coletivo, construído por um monte de gente que não tem vez, não tem voz, mas que exige aquilo que é seu por direito.
Hoje, a gente está correndo atrás de direitos, mas também quer pleitear um pouco de luxo. Ter uma escala de trabalho de quatro por três, poder viajar, curtir a família e ter uma bolsa igual à da Grazi Massafera. Quem não quer?
A gente também precisa pensar que as pessoas gostam de coisas boas e que isso precisa estar acessível a todo mundo, e não somente a um pequeno grupo da população.
Por que o eleitor deve confiar o voto em Dani Nunes em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
Primeiro, eu não quero apenas o voto. Eu quero o voto, mas também quero que as pessoas me fiscalizem e tenham consciência. Não adianta jogar a culpa na Dani e achar que ela vai resolver todos os problemas. Sozinha, eu não vou conseguir nada.
Mas, com você, com o seu vizinho, com a sua tia e com o seu esposo, nós vamos conseguir fazer ou, pelo menos, iniciar a transformação de que a gente mais precisa e que sente urgência de ver concretizada.
Eu não faço promessas. Eu tenho um compromisso, e o meu compromisso é com todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores. Não faço distinção de pessoas.
A única coisa que peço é que vocês me deem uma chance, uma oportunidade para construir. Não para construir algo sozinha, mas com vocês dividindo o protagonismo comigo.
Sou Dani Nunes, candidata a deputada federal, 1375. A periferia não vai mais pagar a conta.




