Marina do MST construiu sua trajetória na luta do povo do campo. Filha de trabalhadores sem terra, trabalhou como boia-fria na infância e, por meio das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, conheceu o MST, movimento do qual faz parte desde os 13 anos. De lá para cá, sua história se ampliou nas lutas pela reforma agrária, pela produção de alimentos saudáveis, pela democracia e pela justiça climática. Assistente social formada pela UFRJ e mestre em Geografia pela Unesp, Marina foi a primeira mulher Sem Terra eleita deputada estadual no Rio de Janeiro. Agora, é candidata à reeleição para seguir levando as lutas populares do campo e da cidade para dentro da Alerj.

Quem é Marina do MST e por que você é candidata nas eleições de 2026?

Eu sou Marina do MST, uma trabalhadora do campo. Trabalhei como boia-fria durante a minha infância e faço parte das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Foi por meio delas que conheci o MST e, desde os 13 anos, sigo nessa luta pela democratização da terra, pela reforma agrária, pela produção de alimentos saudáveis, pela justiça climática e contra o racismo ambiental.

Estou candidata à reeleição a partir de uma provocação que o presidente Lula fez ao MST depois da Vigília Lula Livre. Ele disse que a gente também precisava entrar na institucionalidade para fortalecer a luta democrática e as nossas pautas.

Fui eleita deputada estadual em 2022 e agora sou candidata à reeleição para seguir fortalecendo, por meio do Parlamento estadual, as lutas populares do campo e da cidade.

Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata?

Eu sou filha de trabalhadores sem terra. A minha família sempre trabalhou no campo, na terra dos outros, nas terras dos grandes fazendeiros da nossa região. Nós sempre estivemos ligados às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica.

Para sair do trabalho de boia-fria, que eu fazia desde criança, fui para um convento para poder estudar. Foi lá que conheci as lutas do MST. Desde os 13 anos, sigo fazendo essa luta pela democratização da terra e pela construção da reforma agrária, que é uma política prevista na Constituição Federal desde 1988.

Também seguimos na luta pela produção de alimentos saudáveis, pela justiça climática, contra a crise climática e contra o racismo ambiental, que atinge principalmente as periferias do campo e da cidade.

A partir de 2016, depois do golpe contra a presidenta Dilma, o MST foi convocado pela sociedade a participar de lutas que iam além da reforma agrária e a atuar também em defesa da democracia do nosso país.

No final da Vigília Lula Livre, o presidente Lula agradeceu o papel desenvolvido pelo MST e nos provocou a ocupar também a institucionalidade, fortalecendo as lutas democráticas e as nossas pautas. Por isso, fui indicada para ser candidata a deputada estadual no Rio de Janeiro.

Antes de ser deputada, me formei em Serviço Social pela UFRJ, em uma parceria com a Escola Nacional Florestan Fernandes, que é a escola do MST. Também fiz mestrado em Geografia pela Unesp, no Programa de Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe.

Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na sua área de atuação e como essa experiência influencia o seu trabalho como parlamentar?

Acho que o maior desafio que enfrentei nesse período aconteceu em Nova Friburgo, no final de agosto de 2023, quando fomos fazer uma plenária de prestação de contas do mandato.

A proposta era debater com a sociedade a importância de ter uma integrante dos movimentos sociais no Parlamento, ouvir a comunidade e levar as suas demandas para dentro da Alerj. Mas, quando chegamos a Lumiar, sofremos um forte ataque de bolsonaristas e grupos de extrema direita, mobilizados por um vereador da região.

Tentaram impedir que eu exercesse o meu ofício, o meu dever e a minha missão como deputada estadual, que é ouvir as pessoas. Mas nós resistimos a todas as pressões e a todos aqueles ataques. Conseguimos realizar a plenária e ouvir a população.

Foi um dos momentos mais desafiadores do mandato, mas também foi um momento que me trouxe muita força e esperança. Mostrou que a nossa luta democrática precisa ser construída junto com os movimentos sociais e populares, no meio do povo, ouvindo o povo e levando as suas demandas para dentro da Assembleia Legislativa.

Quais serão as suas três prioridades no mandato?

O meu primeiro grande compromisso é continuar fortalecendo a produção de alimentos saudáveis, as áreas da reforma agrária popular e a agricultura familiar no nosso estado.

O segundo é a defesa da vida das mulheres e da juventude, junto com a defesa da água, da natureza e da democracia no Rio de Janeiro.

O terceiro é fazer com que a luta popular seja o nosso maior compromisso, para dentro e para fora da Assembleia Legislativa.

Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?

O maior desafio do Rio de Janeiro é a gente vencer a extrema direita, que nasceu aqui. Por isso, o nosso maior compromisso precisa ser fazer um amplo trabalho de base com a classe trabalhadora, especialmente nos territórios do campo e da cidade.

A gente precisa conversar com o povo, fortalecer a organização popular, fazer do Lula o presidente mais votado no Rio de Janeiro e fortalecer a democracia com a eleição da nossa senadora Benedita da Silva.

Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população durante todo o mandato, e não apenas no período eleitoral?

O meu compromisso é continuar fazendo o que temos feito, atuando nos diversos municípios e construindo um mandato que seja, de fato, estadual.

Queremos estar diretamente ligados aos territórios organizados do campo e da cidade, principalmente às periferias, ouvindo as pessoas e levando as suas demandas para dentro da Alerj.

Também acredito no fortalecimento das cozinhas solidárias como espaços de combate à fome, de acesso a alimentos saudáveis e de organização popular. Essas iniciativas também precisam ser ferramentas para fortalecer a democracia no nosso estado.

Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?

O eleitor pode continuar confiando na militante do MST, na militante da reforma agrária e na militante da democracia.

Pode confiar na primeira mulher Sem Terra eleita deputada estadual no Rio de Janeiro e no nosso compromisso de seguir organizando a classe trabalhadora, principalmente as mulheres e a juventude do nosso estado.

Pode esperar um mandato presente, ligado às lutas populares e comprometido com o povo do campo, das cidades e das periferias.