Rose Cipriano é professora, ativista de direitos humanos e moradora da Baixada Fluminense. Mulher negra, construiu sua trajetória na educação pública, no movimento sindical, no Movimento Negro Unificado e no movimento de mulheres negras. Especializada em educação especial, trabalha atualmente com crianças atípicas. Agora, é candidata a deputada estadual para ampliar a presença de mulheres negras na política e defender educação pública, enfrentamento à violência contra as mulheres e políticas antirracistas.
Quem é Rose Cipriano e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Sou professora, ativista dos direitos humanos, uma mulher que luta pelos direitos de outras mulheres e moradora da Baixada Fluminense, com muito orgulho.
Vejo minha candidatura como importante para ampliar a presença de mulheres e, especialmente, de mulheres negras na política. Ainda temos uma representação muito pequena e existem cidades em que sequer há mulheres ocupando cadeiras nas câmaras municipais.
Acredito que não existe democracia plena sem a participação das mulheres. Quero levar para a Assembleia Legislativa a experiência de quem vive diariamente a realidade da educação pública, da Baixada Fluminense, do enfrentamento ao racismo e da luta pelos direitos das mulheres.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?
Minha trajetória como professora começou antes mesmo da minha formação. Venho de uma família de educadoras e, ainda aos 14 anos, já ajudava uma professora da família que dava aulas em casa. Foi ali que nasceu meu amor pela educação.
Depois me formei professora, me especializei em educação especial e hoje trabalho com crianças atípicas. Mas minha atuação nunca ficou restrita à sala de aula. Entendi que, para transformar a realidade da escola, também era necessário atuar para transformar aquilo que acontece fora dela.
Foi assim que construí minha militância sindical, na defesa dos profissionais da educação, e também minha atuação no Movimento Negro Unificado e no movimento de mulheres negras.
Essas questões não são apenas bandeiras de campanha. Elas fazem parte da minha vida como estudante da escola pública, professora, trabalhadora, mulher negra da Baixada Fluminense e alguém que enfrenta o racismo. Minha candidatura nasce dessa experiência e da vontade de transformar essa realidade.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na sua área de atuação e como essa experiência vai influenciar seu trabalho como parlamentar?
Como professora da educação pública, um dos grandes desafios é garantir investimento suficiente para que a escola tenha condições de oferecer uma educação de qualidade. Isso interfere tanto no aprendizado dos estudantes quanto nas condições de trabalho dos profissionais.
Precisamos garantir que nossa juventude tenha acesso à educação, ao ensino médio profissionalizante e também ao ensino superior.
E essa educação precisa ser inclusiva e antirracista. Minha experiência dentro da escola me permite conhecer esses desafios de perto e é a partir dela que quero construir propostas para a educação do estado do Rio de Janeiro.
Quais serão as três prioridades do seu mandato?
A primeira será o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres. Antes de qualquer outra política, precisamos garantir que as mulheres estejam vivas e protegidas. Quero trabalhar pela ampliação das políticas de proteção e acolhimento.
A segunda prioridade será a educação. Precisamos ampliar o ensino médio técnico e avançar na oferta de educação em tempo integral no estado do Rio de Janeiro.
A terceira será a construção de políticas para um estado antirracista. Isso passa pela educação, pelas oportunidades oferecidas à juventude negra e pelo enfrentamento das desigualdades que atingem a população negra.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?
Na minha avaliação, um dos grandes desafios é recuperar a confiança da população na Assembleia Legislativa e fazer com que ela esteja efetivamente voltada para os interesses dos fluminenses.
O Rio de Janeiro passou por sucessivas crises políticas e por episódios envolvendo agentes públicos e organizações criminosas. Por isso, considero urgente fortalecer a transparência, a fiscalização e uma representação verdadeiramente comprometida com a população.
Quero contribuir para uma Alerj mais próxima das pessoas e capaz de discutir os problemas reais do estado, sem permitir que interesses particulares ou criminosos se sobreponham ao interesse público.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população ao longo de todo o mandato e não apenas no período eleitoral?
O mandato precisa estar a serviço da população e dos movimentos sociais. Um parlamentar não representa a si mesmo, por isso precisa manter espaços permanentes de diálogo com quem está nos territórios e participa das diferentes lutas sociais.
Quero criar conselhos políticos e também trabalhar com gabinetes itinerantes, levando o mandato para diferentes regiões do estado.
A ideia é estar nos territórios, ouvir diretamente as pessoas, dialogar com os movimentos sociais e fazer com que essas demandas cheguem efetivamente à Assembleia Legislativa.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
A política ainda é marcada por pessoas que chegam aos espaços de poder a partir de heranças familiares e de estruturas que se repetem ao longo das gerações. Quero contribuir para ampliar a presença de quem conhece os problemas cotidianos porque também os vive.
Não podemos discutir violência contra as mulheres sem ouvir as mulheres. Da mesma forma, não podemos construir políticas para pessoas com deficiência sem ouvir diretamente quem é afetado pelo capacitismo.
Quero representar trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, população negra e pessoas que muitas vezes não encontram espaço nos lugares onde as decisões são tomadas.
O eleitor pode esperar um mandato presente, construído com participação popular e comprometido com educação, direitos das mulheres, inclusão e enfrentamento ao racismo.




