Edna Calheiros é professora aposentada da rede pública do estado do Rio de Janeiro, educadora popular e feminista. Sua trajetória começou ainda nos movimentos estudantis e continuou na educação, no trabalho social e na defesa dos direitos das mulheres. Nos últimos anos, passou a atuar de forma coletiva na Região dos Lagos, especialmente em Saquarema. Agora, é candidata por um mandato coletivo formado por 19 pessoas, com propostas voltadas à participação popular, aos direitos das mulheres, ao meio ambiente, ao saneamento e à justiça climática.
Quem é Edna Calheiros e por que você é candidata nas eleições de 2026?
Sou professora aposentada da rede pública do estado do Rio de Janeiro, educadora popular, feminista e uma mulher que construiu sua trajetória lutando pelos direitos das mulheres e por mais participação feminina nos espaços de poder.
Minha candidatura também representa uma proposta diferente de fazer política. Estou à frente de um mandato coletivo formado por 19 pessoas que decidiram se unir para construir esse processo de maneira compartilhada, ouvindo a população e trazendo diferentes experiências para dentro da política.
Conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional antes da política. O que nela explica por que você decidiu ser candidata agora?
Sou filha de uma mulher que foi uma grande inspiração para mim, Angelina Calheiros. Perdi meu pai quando tinha dois anos e cresci acompanhando a força da minha mãe. Desde muito jovem participei de movimentos estudantis e cheguei a ser presidenta de grêmio.
Depois construí minha trajetória como professora da rede pública. Quando me aposentei, comecei a desenvolver trabalhos sociais voltados principalmente para a autonomia das mulheres e passei a ter um contato ainda maior com mulheres das favelas e de outros territórios populares.
Desde 2016, também venho construindo um trabalho coletivo em Saquarema. Essa experiência reforçou em mim a ideia de que é possível fazer política de outra forma, de maneira mais participativa e compartilhada. É daí que nasce a proposta do nosso mandato coletivo.
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou na sua área de atuação e como essa experiência vai influenciar seu trabalho como parlamentar?
Sou professora de carreira e um dos momentos que mais marcaram minha trajetória aconteceu logo no início da profissão. Fui trabalhar em uma escola que atendia crianças da região da Nova Holanda e da Maré, no Rio de Janeiro.
Recebi uma turma de 17 crianças que, naquela época, era tratada como uma turma de alunos com necessidades especiais. Ao conviver com elas, percebi que aquela realidade era muito mais complexa do que os rótulos que haviam sido colocados sobre aquelas crianças.
Desenvolvi um trabalho diferenciado com aquela turma, que acabou sendo reconhecido e premiado. Naquele momento, decidi permanecer no magistério e dedicar minha vida à educação.
Essas crianças tiveram um papel fundamental na minha trajetória. Foi a partir daquela experiência que fortaleceu em mim o compromisso com uma sociedade mais justa, igualitária e com mais justiça social.
Quais serão as prioridades do seu mandato?
Uma das prioridades será a defesa dos direitos das mulheres e o fortalecimento de políticas que ampliem sua participação nos espaços de poder. Essa é uma pauta que acompanha toda a minha trajetória.
Também quero atuar nas questões ambientais, com atenção especial à justiça climática, ao acesso à água e ao saneamento. São temas que afetam diretamente a qualidade de vida da população e que precisam estar no centro das decisões públicas.
O mandato também será construído a partir da participação popular. Queremos que as pessoas tenham voz na definição das prioridades e contribuam diretamente para a construção das políticas públicas.
Na sua visão, qual é hoje o maior desafio do Rio de Janeiro e qual é a sua proposta prática para enfrentá-lo?
A segurança é um dos grandes desafios do Rio de Janeiro, mas acredito que ela não pode ser enfrentada de forma isolada. Precisamos pensar também em educação, saúde, qualidade de vida e participação da população.
Muitas vezes, principalmente nos territórios mais pobres, as pessoas são tratadas como se fossem parte do problema. Precisamos fazer o contrário: estar junto delas, ouvir suas experiências e construir as soluções com a participação de quem vive diariamente aquela realidade.
Defendo uma segurança associada à garantia de direitos. Isso significa educação e saúde de qualidade, políticas ambientais, justiça climática e presença efetiva do poder público nos territórios.
Os problemas do Rio de Janeiro são complexos e só podem ser enfrentados com participação social e políticas públicas integradas.
Como você pretende manter um diálogo direto e transparente com a população ao longo de todo o mandato e não apenas no período eleitoral?
Esse diálogo já faz parte do nosso trabalho. Temos projetos itinerantes por meio dos quais conversamos diretamente com a população e queremos continuar fazendo isso durante o mandato.
Nossa proposta é justamente construir um mandato itinerante, que circule pelos territórios, escute as pessoas e leve a voz da população para dentro do Parlamento.
Um mandato coletivo precisa ser feito dessa maneira: não apenas representando as pessoas, mas criando mecanismos para que elas também participem das decisões.
Por que o eleitor deve confiar o voto em você em 2026 e o que pode esperar da sua atuação no dia a dia?
Nossa proposta de mandato coletivo nasce de um trabalho que já vem sendo realizado junto à população, especialmente na Região dos Lagos e em Saquarema.
Temos experiência de diálogo com a sociedade e de construção de políticas públicas voltadas principalmente para as mulheres. Em uma das experiências que vivi na gestão da sociedade civil, conseguimos desenvolver 23 projetos ligados à construção de políticas públicas para as mulheres.
Quero levar essa experiência para o Parlamento e ampliar esse trabalho para outras regiões do estado.
O eleitor pode esperar um mandato aberto, participativo e construído coletivamente, com atenção especial às mulheres, ao meio ambiente, à justiça climática e às demandas que surgem diretamente dos territórios.




