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Quem é que vai pagar por isso?

Por: Washington Quaquá – Presidente do PTRJ

Rupturas institucionais são custosas. Custam caro às sociedades. A via democrática e do respeito ao estado de direito, com respeito as regras eleitorais isonômicas e a processos judiciais que respeitam as regras constitucionais e do bom direito são garantias de uma sociedade sadia. As mudanças podem até parecer lentas dentro do estado democrático, mas são menos traumáticas e mais duradouras.

O Brasil vive uma ruptura institucional e foi instaurado no país um novo regime. Um regime de exceção instituindo por dentro, a partir da deformação das instituições democráticas.

Setores que hegemonizaram a casta privilegiada do judiciário, do aparelho policial federal, das forças armadas e demais setores de controle da burocracia estatal, tomaram de fato o poder no Brasil. E passaram a agir de forma discricionária, ilegal, inconstitucional e anti democrática.

Esse fragmento de classe incrustado no Estado. Todos pertencentes às classes médias tradicionais ou a parte das elites, obviamente não dominaram o país sozinhos. Tiveram auxílio econômico, intelectual e logístico de grandes corporações internacionais, de olho no nosso petróleo e demais riquezas; foram treinados e “incentivados” pelos organismos do departamento de estado e de justiça dos EUA; tiveram apoio da burguesia nacional vassala destes grupos internacionais; da mídia monopolizada por famílias ricas; formando um poderosíssimo complexo de poder que hoje comanda o Brasil de forma ditatorial.

Seu objetivo principal é aniquilar o PT e seu símbolo maior: Lula. Depois, a esquerda. Mas a medida que avança o estado policial a esquerda passa a ser pouco. É preciso destruir todo o mundo político. Toda a representação popular que esteja em incompatibilidade com o mundo da “governança técnica” deve ser desmoralizado e destruído. Os processos judiciais viciados e condenações sem prova e sem base legal são o instrumento para prisões espetaculares cobertas pela mídia, que faz parte do complexo de poder e cumpre o papel de desmoralizar previamente na opinião pública suas vítimas. Forma-se um brutal complexo de poder autoritário e ditatorial. Um fascismo soft.

Zé Dirceu e seus companheiros de direção política foram vítimas iniciais deste processo. Depois vieram outros, até chegar a absurda e ilegal prisão de Lula. Agora esse com complexo, legitimado pela eleição sem Lula e preparada para a vitória do bolsonaro, está mais ativo e forte do que nunca.

Uma nova leva de prisões e processos ilegais serão realizadas em 2019. Poucos do PT escaparão. Muitos da esquerda e do campo político democrático serão também perseguidos e presos em processos viciados. A inquisição está insaturada!

Como reagir? É possível reagir? Sempre é!

O PT e a esquerda que são as carnes mais baratas do MERCADO devem tomar três medidas que não são incompatíveis mas diferentes:

1- Girar a maior parte de seu esforço organizativo para as periferias e bairros populares, sobretudo para a juventude, para um trabalho político de 3, 4, 5 anos no mínimo. Período em que muitos estarão presos mas que milhares de militantes estarão nas comunidades organizando e formando muitos outros milhares para acumular forças pra derrubar o regime ditatorial e instituir uma democracia popular de verdade;

2- Constituir um programa político de reformas para o país. Garantindo emprego, salário digno, renda básica, soberania sobre as riquezas nacionais, devolução das estatais e das riquezas nacionais roubadas, democracia de fato com ampla participação popular e igualdade de disputa nas eleições e fim total da interferência empresarial na política. Dentre outros pontos fundamentais. O povo precisa saber que a saída da crise está aqui! Tudo isso com a campanha Lula Livre e a defesa do legado dos anos Lula que estão na cabeça do povo como os melhores anos de suas vidas.

3- Dialogar com toda a nação e com todas as forças sociais e políticas democráticas dispostas a lutar contra o regime ditatorial instalado, buscando construir uma Frente Ampla Democrática. Não é hora de estreiteza, é hora de ampliar forças para todos que seja incompatíveis com o atual regime ou que venham a romper com ele.

Por fim, é preciso deixar claro para aqueles que se apoderaram do Estado para instituir este regime de exceção, que seus crimes e suas ilegalidades cometidas um dia serão julgadas por tribunais constitucional e legalmente constituídos, com chancela de organismos internacionais. Um a um eles terão que pagar pelas injustiças cometidas. A roda da história gira e quem hoje oprime e fere com a espada da INJUSTIÇA amanhã será chamado a prestar contas a verdadeira justiça em um verdadeiro estado democrático de direito. Foi assim com os altos dirigentes do regime nazista e teremos que fazer o mesmo no Brasil quando derrotarmos o regime ditatorial vigente.

Fui prefeito de Maricá por 8 anos, e sou um presidente Estadual do PT do RJ fui eleito deputado federal pelo RJ com mais de 74 mil votos, tendo o mandato popular cassado por decisão ilegal e arbitrária do TSE.

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