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Intolerância: a doença que tem cura

Uma decisão da Justiça que passa por cima de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia e faz o país retroceder (ainda mais) alguns anos está dando o que falar nas redes sociais.

O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, proferiu na última sexta-feira (15) uma liminar que tira o direito do Conselho Federal de Psicologia de impedir que psicólogos apliquem técnicas e terapias voltadas à ”reorientação sexual”. Na prática, a decisão abre a possibilidade de a homossexualidade voltar a ser tratada como doença (desde 1990, a homossexualidade não é mais considerada uma patologia pela ONU) e, portanto, dá o aval para que sejam realizadas terapias de reversão sexual visando uma ”cura gay”.

É até difícil comentar o teor absurdo dessa decisão e o retrocesso que ela representa, especialmente para o movimento LGBT que, ao longo de anos, luta pelo fim do preconceito e da homofobia. Há um motivo para que as terapias de reversão sexual tenham sido proibidas pelo Conselho Federal de Psicologia há 18 anos. Além de não serem cientificamente comprovadas, elas agravam ainda mais o sofrimento psíquico do ”paciente”.

”Paciente” entre aspas, pois não há como curar o que não é uma doença. Homossexuais não são pacientes a espera de uma cura, e a decisão da Justiça de passar por cima da medicina só fará aumentar a voz dos homofóbicos, que irão enxergar na liminar uma validação para sua perigosa intolerância.

Pior ainda é o fato de a suspensão da decisão do CFP ter sido solicitada justamente por uma psicóloga que apoia esta barbaridade. Rozângela Alves Justino, famosa por suas posições homofóbicas e ideias delirantes, como a que compara a militância LGBT ao nazismo (!!!), já foi punida anteriormente pelo Conselho por oferecer a ”terapia” e acreditar totalmente em sua eficácia. Leia mais sobre ela aqui.

Felizmente, as manifestações contra a liminar ocupam desde ontem o topo dos assuntos mais comentados do Twitter. Vários famosos também expuseram seu posicionamento em suas redes sociais, em vídeos ou posts, como é o caso das cantoras Daniela Mercury, Anitta e Preta Gil e do humorista Paulo Gustavo, entre outras personalidades. Confira:

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Ao juiz que proferiu a liminar, aos ”profissionais” que apoiam a decisão, e a todos aqueles que reproduzem discursos homofóbicos: se a decisão do outro em amar quem lhe convém o incomoda, o doente é você. Amor não é doença, intolerância e ódio sim. E pra eles, há cura.

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