17099200 - Fundação FHC, a máquina de sugar recursos públicos

Fundação FHC, a máquina de sugar recursos públicos

Michel Temer e FHC - Fundação FHC, a máquina de sugar recursos públicos

Há mais de 10 anos, o uso de recursos provenientes da Lei Rouanet para financiar projetos da Fundação Fernando Henrique Cardoso é visto com desconfiança. Inclusive, desde o ano passado, deputados tentam abrir uma CPI para investigar possíveis irregularidades nos altos valores repassados para um único projeto que já dura mais de uma década.

A desconfiança não é pra menos. Afinal, do que se trata o tal ”projeto artístico” da Fundação? Uma exposição? Um espetáculo? Um evento cultural?

Não. O projeto nada mais é do que a digitalização e tratamento técnico das fotos e documentos do acervo de FHC. Com a intenção de ser concluído ainda em 2006, o prazo para o fim do projeto foi prorrogado para 2007, depois 2009, 2011, e , finalmente 2014, quando o Ministério da Cultura liberou R$ 6,3 milhões para sua conclusão, que também não aconteceu. Em 10 anos, estima-se que a tal ”digitalização” tenha consumido cerca de R$ 14 milhões em incentivos da União (ou seja, cidadão pagador de impostos, seu dinheiro).

E não para por aí. Segundo a edição do Diário Oficial da última quinta-feira (19), foram concedidos mais R$ 9 milhões via Rouanet para a Fundação. A justificativa do pedido, acredite, ainda é a mesma: “Prosseguir o tratamento técnico do Acervo Presidente Fernando Henrique Cardoso; finalizar o tratamento de parcela do Arquivo Sergio Motta, referente à gestão do Ministério das Comunicações; iniciar o tratamento do Arquivo Mário Covas, que será posteriormente transferido ao Arquivo Público do Estado de São Paulo”.

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Apenas para efeito de comparação, os outros projetos artísticos divulgados nesta edição do Diário Oficial captaram entre R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão via Rouanet. Apenas três alcançaram números superiores: um projeto de grandes mestres da música brasileira em São Paulo, com R$ 2,2 milhões; um espetáculo musical infantil, no Rio de Janeiro, que arrecadou R$ 4,9 milhões; e o plano anual da Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, com R$ 7,3 milhões.

Todos estes, no entanto, são projetos de grande porte que necessitam de verba para organização, montagem e mobilização de pessoal para que o evento transcorra. Além disso, todos são eventos culturais voltados ao público.

Mesmo assim, a maior arrecadação nesta edição foi a digitalização de FHC. Um projeto infinitamente mais simples que os outros e que, além de se arrastar há uma década (quantos arquivos devem ter sido digitalizados até hoje?), não será revertido em nenhuma ação cultural para a população, já que, segundo o próprio Diário Oficial, os documentos são divulgados digitalmente, no site da instituição.

Nada justifica destinar R$ 9 milhões de reais para uma simples digitalização de documentos. Quantos outros projetos muito mais relevantes e culturalmente ricos poderiam ter sido financiados com esta verba?

E ainda mais grave: nestes 10 anos, nunca houve uma prestação de contas listando exatamente a quais atividades específicas a verba foi destinada. Fernando Henrique Cardoso nunca apresentou um recibo com a descrição de seus gastos.

Por muito, muito menos, o Instituto Lula foi investigado em mais um tendencioso inquérito da Lava-Jato e quase teve suas atividades paralisadas pela Justiça.

E ainda querem te fazer acreditar que não há perseguição.

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