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CARTA DA JPT AO 7º CONGRESSO ESTADUAL DO PT-RJ

POR UMA JUVENTUDE PETISTA, AUTÔNOMA E DE LUTA

Companheiros e companheiras,

O Estado do Rio de Janeiro é marcado por ciclos de crises políticas, econômicas e humanitárias. Desde o golpe de 2016, a destruição da vida da juventude, especialmente a juventude negra, e dos trabalhadores do nosso estado vem se aprofundando. No mesmo ritmo que o Brasil sofre com a política econômica ultraliberal, militarização e o fanatismo religioso, a população fluminense parece ser, como muitas vezes na nossa história, um centro de experimentação do que há de mais nefasto na política nacional. O governador Wilson Witzel, inimigo da juventude e dos trabalhadores, é ponto de apoio para o aprofundamento desse cenário de crise financeira, política e social do estado. Para enfrentar tal conjuntura é mais do que necessária a forte organização de nossos jovens, para que possamos garantir os direitos que conquistamos a duras batalhas e avançar sobre novos, barrando os retrocessos impostos por este novo governo do estado.

Estamos sufocados há alguns anos dentro de uma política financeira de ajuste fiscal, contraída durante a ditadura militar, e também de uma série de escolhas que não priorizam os serviços fundamentais para o povo. Essa política financeira de nosso estado condena as universidades estaduais – UERJ, UEZO e UENF – à precarização de seus serviços, assim como desmonta de tempos em tempos a saúde, a cultura, o esporte, o lazer e principalmente retira investimentos para sustentar uma segurança pública ineficiente que opera há anos de maneira vergonhosa para o país, produzindo números de mortes maiores que os de uma guerra civil, em um intervalo mensal no Rio de Janeiro. A polícia de Witzel mata todo dia e, cumprindo aquilo que prometeu em sua campanha, o governador segue a escola política do obscurantismo e da violência de Bolsonaro que a nível federal faz também tantos outros estragos. O que vemos no Rio de Janeiro é um verdadeiro genocídio da juventude, resultado de uma política de segurança pública desastrosa que conta com a polícia militar, herança viva da ditadura, que pronta para guerra, vê a população e os mais pobres como seus inimigos. Recentemente, com a intervenção militar no Rio de Janeiro, estes números cresceram de forma vertiginosa e continuam aumentando sob governo Witzel.

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Carta da JPT ao 7º Congresso


Para além de defender, cada dia mais, uma política de encarceramento e genocídio da juventude negra e pobre; militarizar as escolas piorando, e muito, a qualidade de nossa educação e do ambiente de trabalho de nossos professores, é preciso lembrar os ataques aos direitos humanos, e dizer que a Juventude do PT do RJ nunca esquecerá a foto do governador comemorando o ato de vandalismo com a placa da Rua Marielle Franco no ano passado.
s ataques aos trabalhadores e à juventude aprofundam-se também na relação centro/periferia deste estado. Assim como existem abismos entre os bairros da zona sul e os subúrbios da capital, esse abismo se repete entre a capital e as cidades da baixada fluminense que sofrem ainda mais com essa cartilha política nefasta que se tornou tradicional neste estado. Lembramos inclusive que a parte do Rio de Janeiro que não está nos cartões portais, não é turística, e guarda a maioria da classe trabalhadora, vem sendo local de atuação incansável da nossa juventude. Esta classe trabalhadora de que falamos está inserida, inclusive, num dos mais altos momentos de desemprego no estado.

Hoje, segundo dados do IBGE, o desemprego da população do estado do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre, atingiu 15,3% – cerca de 1,4 milhões de pessoas, por isso é preciso citar o papel nefasto da Lava Jato que, em nosso estado foi uma das principais responsáveis pela destruição dos postos de trabalho, atacando, centralmente, estaleiros e a construção civil. A juventude é a parcela mais afetada por esse desemprego crescente, sobretudo se for negra, mulher ou também LGBT. Sem um mercado de trabalho formal, essa juventude, para construir algum futuro, se vê obrigada a trabalhar sem nenhum direito nos subempregos que se multiplicam pelas ruas do nosso país. Soma-se a isso a já aprovada reforma trabalhista, prato cheio para que os trabalhos precarizados sejam cada vez a maior parte dos postos de trabalho disponíveis. É sabido que o “precariado” brasileiro, composto por trabalhadores de empresas como Uber, Ifood, Rappi e semelhantes são em sua maioria jovens.

Mas todos esses ataques encontram resistência e disposição na juventude que entende que o governo Bolsonaro é seu inimigo e, por isso, combate sem medo para o fim deste governo, resistindo como vimos recentemente, no dia 15 de maio, quando os jovens foram protagonistas da resistência aos cortes na educação, respondendo aos governos em nível estadual e federal.

Nas ruas contra o Future-se, em defesa dos direitos sociais e assim como estávamos no início do ano, em defesa da continuidade das cotas raciais para as nossas universidades estaduais, herança do governo de Benedita da Silva.

Nossa atuação política tem uma grande capacidade, não só de dar respostas aos problemas políticos, sociais e econômicos do estado do Rio de Janeiro, como também de organizar a juventude fluminense. A juventude petista se tornou a maior juventude organizada do estado, sendo conduzida, no último congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro à presidência. O pleito inédito ocorreu graças ao nosso trabalho nas universidades e também a atuação em unidade de todas as correntes partidárias que garantiram, pela primeira vez, uma jovem mulher petista a presidir a entidade.

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A JPT participa, a partir das tendências que a compõe, de inúmeros congressos, conferências, encontros, caravanas, atos, audiências, conselhos etc. Além daqueles que a própria instância produz que vai desde plenárias locais até encontros nacionais. Muitos desses espaços são construídos com a função de serem espaços de acúmulo da política, mobilizadores e também tem a função de agregar, aproximar, consolidar relações ou mesmo abrir espaços de diálogo para que os jovens possam conhecer o partido e se colocarem em movimento para defender seus direitos e seu futuro. Em um momento como esse, em que o PT do Rio de Janeiro tem dificuldade em aumentar o número de jovens em suas fileiras partidárias – inclusive perdendo espaço para outros partidos de esquerda – o incentivo da direção é fundamental.

Por tanto, a JPT vem a este congresso, em unidade com suas diferentes forças, apresentar aos delegados do congresso estadual, pautas que consideramos essenciais diante do cenário já explanado.

Por uma JPT – RJ autônoma:

Defendemos autonomia de nossa juventude. Precisamos de liberdade para discutir e formular; queremos dizer o que pensa a JPT sobre as questões nacionais, estaduais e municipais do nosso partido e isso vai além de apenas formular questões sobre a juventude. Somos parte indispensável do corpo e da vida partidária. É pelo nosso trabalho constante e por estarmos presentes no cotidiano dos enfrentamentos deste país de norte a sul, que a JPT deve ter a liberdade de elaboração política reconhecida e fomentada, assim como o reconhecimento para apresentar suas resoluções, perspectivas e nortes de luta, que estarão sempre embasados na seriedade e comprometimento de sua atuação.

É preciso aprofundar o debate sobre a participação da juventude na vida política do partido e nas instâncias deliberativas. A Juventude do Partido das Trabalhadoras e Trabalhadores não pode ser lembrada somente entre os intervalos de eleições internas para cumprir cotas nas composições, somos um corpo político de atuação constante e que engrandece o partido das instâncias nacionais até as municipais. Defendemos, não uma autonomia política em abstrato, mas uma autonomia que se baseie principalmente em um orçamento próprio da juventude resultado de nossa própria arrecadação, assim como também da contribuição dos filiados, da direção do partido e da atuação da própria juventude para que possamos materializar nossas campanhas, ações e atividades. Isto porque, até os dias atuais, nossa entidade encontra–se sem orçamento próprio, necessitando do diálogo permanente com a direção. Reconhecemos os muitos dirigentes que têm sido companheiros e solícitos, sempre dispostos a ajudar e contribuir para a luta. Contudo, a constante agitação, que é marca registrada da juventude, mostra que esse modelo de “contribuição” está superado. Pudemos ver junto às companheiras da Secretaria de Mulheres o que a autonomia financeira é capaz, seja no dia a dia, ou seja no processo eleitoral.

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Dito isto, nós da JPT-RJ, relembramos os companheiros e companheiras presentes que nós sempre buscamos formas alternativas de captação, nunca nos ausentamos da venda de materiais para o financiamento. Essa arrecadação foi capaz de suprir pequenas atividades, retomando um importante método de construção política que parece ter sido abandonado pelo restante do partido: a prática de uma política financeira.

Ter autonomia nas finanças é o reconhecimento da nossa responsabilidade, e este orçamento específico é garantia de um funcionamento regular. Logo defendemos que seja efetivado o que já foi aprovado no último congresso estadual do PT que são 10% do fundo para a juventude e reconhecimento dos fóruns de decisão da JPT.

Cabe salientar que uma autonomia organizativa também se faz necessária, como por exemplo, os fóruns internos da JPT deveriam ser capazes de definir calendários, prazos, fazer a consulta de jovens filiados, ter canais de comunicação estruturados – e assim mais atrativos – acesso a ferramentas operacionais e cursos de formação voltado ao público jovem são alguns exemplos. A JPT tem capacidade de criação e formulação, mas, muitas vezes, esbarra em entraves burocráticos ou de obsolescência de ferramentas, que dificultam até mesmo a construção de diálogo com os jovens filiados ao PT.

Apoio às candidaturas jovens: JPT nas Eleições

A próximas eleições municipais, de 2020, estão próximas. Será o primeiro processo eleitoral nas cidades no governo Bolsonaro e com a prisão injusta do maior líder da esquerda do país. É de suma importância que tenhamos uma capacidade de diálogo com o povo para que juntos possamos encontrar as saída dos problemas que enfrentamos de duros ataque aos trabalhadores. A mais ampla unidade do nosso partido para o combate que virá é de extrema importância e a juventude vem demonstrando isso. Somente assim, teremos fôlego para travar o combate aos retrocessos. A juventude já tem feito seu papel nas lutas pela educação, soberania nacional, contra a retirada de direitos e em defesa da democracia.

Em especial, é preciso fazer o debate das atividades eleitorais em todo o estado do Rio de Janeiro, já que, nos seus diversos municípios, candidaturas jovens apresentam-se ao combate. Tanto na capital, quanto do norte ao sul do estado, diversos jovens estão dispostos a colocar seu nome no processo da disputa municipal, defendendo com qualidade uma plataforma petista. Nós, da JPT, defendemos que tenhamos contribuição do fundo partidário, acesso a um tempo de televisão considerável e que, à essas candidaturas seja oferecido suporte real para que, afinados com a tradição, possamos renovar com responsabilidade o quadro político das prefeituras e vereanças, e que a juventude possa levar ao processo eleitoral de 2020 as questões que lhe são caras, na certeza que estas são também questões norteadoras do partido e da sociedade como um todo.

Apresentar caras novas tem sido um grande fenômeno em muitos partidos. O PT tem essa possibilidade aliada de seu programa histórico de emancipação do povo brasileiro. As candidaturas jovens fortalecem nossa capacidade de legislar e governar, trazendo para nós a materialização da renovação que a população brasileira tanto pede com a responsabilidade da tradição que cada jovem aqui carrega. Defendemos que, junto aos diretórios municipais e suas direções recém-eleitas, possamos construir candidaturas jovens em cada município deste estado. A JPT-RJ apresentará o Movimento Representa, que foi aprovado no Diretório Nacional pela JPT Nacional, e que trará suporte – projeção, formação coletiva para disputa eleitoral, cursos e entre outros – a essas candidaturas. Esperamos que todo o Partido se comprometa para dar capacidade às candidaturas jovens de fazerem uma boa campanha. O que está em jogo para o próximo período é central para o futuro do país, e passa pelos municípios e que podem ser instrumentos de resistência ao governo Bolsonaro.

Interiorizar a JPT e fortalecer a juventude é fortalecer o PT


Em diversos municípios do nosso estado, onde sabemos que temos dificuldade nos próprios diretórios, a juventude petista se vê órfã de uma secretaria de juventude e principalmente de uma JPT. Defendemos que este congresso coloque como um dos seus objetivos o apoio para a retomada de força da juventude do PT, principalmente nos interiores de nosso estado.

Queremos criar, refundar e fortalecer as secretarias municipais a partir da organização de encontros intermunicipais de juventude que não se limitem aos congressos e garantindo maior participação dos jovens petistas que se encontram fora do eixo metropolitano do estado. A JPT -RJ propõe a construção, conjunta com as novas direções municipais eleitas, de uma campanha de filiação de jovens, com material gráfico e de internet, ações em bairro, mobilização nas escolas e universidades, entre outras ações.

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Por fim, temos consciência dos desafios que estão colocados ao nosso partido, para combater o governo Bolsonaro e Witzel.

Temos consciência de que as tarefas não são fáceis e nos cobraram empenho e organização. Sabemos que a mesma justiça que mantém nosso companheiro Lula preso sem provas, fez vista grossa às fraudes no processo eleitoral, também deixa impune aqueles que deram 80 tiros no carro de uma família negra, não quer solucionar a execução de Marielle Franco e mantém o DJ Renan da Penha preso. A Juventude não pode, nem vai deixar de se indignar diante desse cenário de censura e obscurantismo.

Nesta carta lembramos que queremos Lula Livre! Queremos o PT protagonista da luta no estado do Rio e por isso apresentamos esta carta, a fim de que, auxiliados pela instância partidária, confiantes na capacidade de organização e de apoio à juventude PT, reafirmamos neste espaço que seguiremos nas ruas, na luta, dialogando com a classe trabalhadora, com os jovens, as mulheres os LGBT e a negritude, seguiremos desmascarando as injustiças, sem nunca perder a esperança de sair da situação colocada hoje para o Brasil e, principalmente para o estado do Rio de Janeiro.
Por uma JPT autônoma! Por Lula Livre!

Juventude do Partido dos Trabalhadores – Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2019.

Fotos: Nayara Stephanie e Isabella Freitas

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