Menu

A Cultura como saída para a crise

Por Oscar Bessa (Militante do PT)

São tempos de adversidades. Em meio a uma crise que imaginamos onde começou, mas não temos ideia de onde irá terminar, observamos em todo mundo discussões calorosas e polêmicas com forte origem cultural, expressa na diversidade de formas de ver, pensar e conceber a vida e lidar com os desafios do cotidiano. A expressão disso está materializada no sentimento de intolerância e ódio com consequente aumento da violência, de crimes de ódio e ataques a cultura do contrário.

É nesse contexto que assistimos ao debate que cerca a relação da prefeitura do Rio de Janeiro e os recursos destinados ao carnaval, traz necessidade de refletirmos sobre a importância da cultura para uma cidade que sempre teve na musica, na arte e na livre expressão suas marcas fazendo do samba, da capoeira e de tantas outras formas de manifestações da cultura negra presentes no DNA do nosso povo. Para além desta tradição e do valor histórico o carnaval consolidou-se como o maior espetáculo a céu aberto da Terra o que torna os 4 dias principais desta festa um importante ativo para o Rio.

Segundo o valor economico no carnaval de 2017 chegaram a cidade 977 mil turistas e atracaram 10 navios que trouxeram aproximadamente 26 mil pessoas, movimentando em 4 dias R$ 2,2 bilhões, com taxas de ocupação de 92% em Ipanema e Leblon e 85% em Copacabana. O que faz deste o maior momento de arrecadação e fluxos de pessoas da cidade ao longo do ano.

Para que esta festa aconteça da forma grandiosa, uma serie de seguimentos são movimentados, gerando empregos para milhares de famílias. Neste momento de queda no orçamento e crise fiscal, ao invés de reduzir investimentos, precisamos refletir na importância do investimento pra fomentar desenvolvimento e valorização da história da cultura carioca. Vem ao centro desta discussão a importância da economia da cultura e do espetáculo para a economia local e de como pensar em alternativas sustentáveis para o financiamento desta cadeia produtiva.

No entanto as debalidades quanto a eficiencia na proposição e implementação das politicas culturais, do diálogo entre os mesmos faz com que mais uma vez a cultura seja compreendida como menos importante, como um gasto sem retorno algum para a sociedade. A cadeia produtiva do carnaval representa no Brasil 5% da movimentação do turismo e 3,7% do PIB nacional o que torna este um setor estratégico para economia nacional diante do seu potêncial.

É possível superarmos esta crise apostando no fortalecimento do setor e no profissionalização das escolas e ligas. Aqui no Rio isso passa também pelo incentivo à mudanças da gestão e investimento no desenvolvimento local como forma de expandir os ganhos para as agremiações envolvidas no carnaval e para a cidade do Rio de Janeiro.

Comentários